sexta-feira, 21 de março de 2008

À procura de lontras

A lontra lutra lutra (lontra de tipo euro-asiático), "animal territorial e solitário, com extraordinárias aptidões anfíbias e hábitos nocturnos e crepusculares", povoa o meu imaginário e é responsável por uma lacuna significativa na minha relação com o rio. Com efeito, nunca avistei qualquer exemplar destes animais, apesar de ter explorado os "pegos" de água limpída, cheios de peixes e de rãs. É certo que as lontras se escondem nas margens arborizadas e densas, nos emaranhados de raízes e de troncos, mas esses eram os trilhos que percorríamos há muitos anos, por causa da pesca, das amoras ou apenas pela aventura da descoberta.
Dia quinze de Março, chegámos ao núcleo de interpretação ambiental dos Baldios ao início da tarde. Avistámos lontras mas apenas em fotografias e, durante o passeio, observámos alguns vestígios da sua presença.

Elas estavam por ali, algures nas margens da ribeira, esperando que o entardecer oferecesse um ambiente mais propício a uma refeição de peixe ou de lagostim. Antes assim! É preferível que a presença humana não perturbe ainda mais o seu mundo.

Um ponto alto consistiu na descoberta de pegadas marcadas na lama (indecifráveis, não fosse a sabedoria do biólogo). Quanto aos dejectos, por serem marcas territoriais, era impossível não os encontrar.
O passeio permitiu-nos observar outros motivos de interesse na área envolvente.


Na margem rochosa e selvagem



havia o verde luminoso dos rebentos primaveris.


o azul debruçado sobre as águas,

o bordado da superfície,
a pequena rã que sejulgou invisível.

Havia a diversidade de flores:




as Campainhas (Narcisos, de acordo com a literatura especializada),

mais Narcisos (ou serão Junquilhos ?),

e pescadores da vila mais próxima.



E as lontras? Talvez um dia, durante um passeio, num encontro casual...

Um comentário:

juju disse...

as lontras só aparecem quando pensarem que estão sozinhas e isto passa-se com a maioria dos seres selvagens!!
fica para a proxima!!