sábado, 12 de abril de 2008

Flores de Abril

tremocilha

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ceseirão

tremocilha

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mostarda

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giesta
sargaço

Finalmente, os dias de sol superaram o vento e a cor parda dos dias. Pelos campos, nas bermas das estradas e no emaranhado das extremas que dividem os olivais e os montados, há uma apoteose de cor e de perfume: sargaços, giesta, estevas, rosmaninho, pirliteiro, mostarda, silenes, malmequeres, inúmeras flores de nome ainda desconhecido, flores bem singelas e comuns, outras com aspecto exótico que despontam aqui e além (minúsculas, perfeitas, raras). Intenso cântico das aves e as cegonhas que seguem o rasto do tactor, uma dádiva na terra revolvida para as sementeiras primaveris. Rasga o silêncio dos campos o som do cuco, o voo de uma ave de rapina, uma rã em qualquer charco… Há manchas de cor: alguns tufos azuis, lilases ou amarelos, laivos brancos, gotas vermelhas de papoilas (ainda que faltem as searas), a flor branca do trevo…E há campos onde se estende a pintura da soagem, do malmequer, da tremocilha…A camomila teve já o seu auge, precoce como sempre, a iluminar os dias de Inverno; agora perde já a sua cor uniforme, cede o lugar ao esplendor da esteva ou do sargaço. E à beira dessas estradas de inusitado movimento, quem diria, não fossem caminhos procurados pelos fins-de-semana passados nos montes, as moitas floridas do “cizerão” (ceseirão), cujas sementes também alimentaram a gastronomia regional. Bem elevadas em troncos flexíveis e frondosos, perto de linhas de água, as flores do sabugueiro, aroma intenso, guardadas para fins medicinais, tal como a erva-prata, espalhada pelas barreiras.

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