quinta-feira, 10 de julho de 2008

Espaço de silêncio e de luz



É no silêncio do espaço sagrado pelos monges que ecoam as vozes de um mundo cíclico: o velho e o novo – a transição entre os mundos. Sob a dança da luz e da sombra, a vida contém a morte e esta o renascimento. Leves, flutuantes, dançam as folhas que se desprendem das ramadas; revestem o solo, cama de fetos e oregãos e sargaços e dedaleiras. E o silêncio intensifica os cânticos e abriga as aves, no espaço onde o tempo é imutável, onde o mundo novo supera o mundo velho - transmutação. Guardiões da harmonia - a passagem proporcionará os prodígios, as fogueiras perpetuarão o Sol, as flores afastarão o caos. Honras e flores e danças às divindades da fertilidade, da pujança e da vida.

Um comentário:

marialascas disse...

Sempre considerei que aqueles que guardam só para si a sua arte são egoístas. Sempre gostei muito do que tu escreves e agora finalmente começo a ver-te assumir esse teu dom. Texto muito bonito!