domingo, 12 de outubro de 2008

Outono

Gosto do Outono (o que é inevitável num escorpião) quando o céu vem fechar-se em tons de cinza sobre os dias, ou quando uma luz serena acolhe os cambiantes verdes, amarelos e castanhos da folhagem. Dos dias quentes e abertos aos horizontes mais vastos, ficou apenas o desejo de seguir num voo de pombos bravos. Do esplendor da cor à desagregação das folhas amontoadas, o sono adormecido dos plátanos da avenida, dos choupos das margens da ribeira. Gosto de caminhar sobre as folhas e de festejar as primeiras chuvas: vem de longe o cheiro da terra molhada, intensifica-se. Desagregação e húmus: pouco demora o nascimento da erva fina, orvalhada pela manhã, como as pérolas que a neblina prende nas teias.
Nada há de triste, nada se perde, nem a cor, nem a vida.

Reencontro caminhos, as memórias das veredas e das azinhagas, o cheiro da lenha a queimar e das panelas de barro, dos marmelos assados na cinza quente… O cheiro a cozinha de campo, a fornada de pão quente; as primeiras mantas - refúgios interiores, enquanto o desenho da água desliza nas vidraças.

Não há timbres agudos e vozes cheias, sons de multidões em praças abertas e ruas largas.
Mas há conversas baixinhas e diálogos à lareira, partilha de mundos e tempo para olhar para as pequenas coisas.



3 comentários:

Hugo disse...

Ola

boa semana

Lídia disse...

Passei por aqui vinda de outro Blog. Curioso este seu post. Muitas lembranças me despertou de um passado distante, mas vivo na memória. Gostei, vou passar por aqui mais vezes.
Lidia

Ezul disse...

Obrigada! Será bem-vinda!