domingo, 12 de outubro de 2008

Viagens

Desfiz as malas, ajudaram-me os amigos que me queriam por perto, e guardei as viagens no álbum. Apenas fotografo emoções, que recupero sempre mais tarde, em percursos silenciosos.


Os últimos dias de Agosto passaram rapidamente e procurei fazer de Setembro – mês de eleição – o mês secreto das férias: ao fim do dia, aos fins-de-semana. Setembro, meu mês com sabor às avencas da praia, ao aquário vivo das rochas na baixa-mar. Marés vivas! Odor das dunas! Música das ondas! Trepidação do comboio, passagem de madeira! Paredes de hera e avenidas de plátanos! …
Um oceano distante trouxe-me o apelo de novos mares aprendidos à beira do Alentejo, ainda selvagens, como nas praias escondidas de Vila Nova de Mil Fontes, onde as correntes e os seixos não deixam vencer as águas. Oceanos de searas ou apenas de terra chã, tão intensa quanto o cântico que nasce do sentido da terra…
Setembro das primeiras chuvas, ainda à beira-mar. Nas montras das papelarias aparecia o material escolar colorido, novo, apelativo. Eram esses os sinais de que era tempo de regressar além Tejo, e a viagem fazia-se sem dramas, como se todas as passagens do tempo fossem naturais e o oceano ficasse guardado para um novo ano.

Hoje, há um mar distante, um nome de mês que ficou por recuperar.

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