quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Feira de artesanato

Primeiro fim-de-semana de Novembro, início da tarde. Passámos os Foros e as terras de Lavre, rumo à aldeia. No ano passado, nos terrenos circundantes, via-se o corte da lenha, um amontoado de madeiros. Desta vez, a urze floria à beira da estrada. Floria, em pleno Outono, e pelas ruas da aldeia em festa, não senti o fumo das lareiras acesas, um cheiro característico, acolhedor, que me devolve às ruas dos montes que conheci.




Mas, no espaço onde decorria a feira, esperava-nos o sabor quente das castanhas e do vinho, os risos dos encontros e das visitas, um café fumegante e uma taça de doce de abóbora. Banca a banca, a textura da cortiça, o talhe da madeira, a imaginação aplicada no feltro e nas tintas, a tecelagem do vime, o mosaico do retalho, a conjugação das cores. Artesanato tradicional ou experiências novas, gestos de reformados, ocupações caseiras, percursos jovens ou histórias de toda uma vida.




As palavras contaram a história de um bordado, de um ponto cruz - técnicas aprendidas num tempo que já é de saudade. Vieram de um lar e trouxeram as emoções, o carinho e a arte entrelaçadas nas linhas das rendas, um orgulho pouco disfarçado na exibição do talento e na confissão da idade, a vontade de contar a quem pergunta, a quem admira, a quem ouve.



Contaram, sem pressa, as actividades agrícolas e a utilização das alfaias reproduzidas. Deram conta das horas necessárias para talhar cada pormenor. Um museu – nascido da arte e da sabedoria das mãos, da vivência da terra, da experiência de uma vida.



Três nomes a registar, nesta aldeia e neste universo de saber: João Clemente, o mestre da cortiça; Florindo Louro e Custódio Barroso, mestres da arte da cestaria - senhores de uma arte e de um conhecimento que partilham, generosamente.

Um comentário:

Hugo disse...

ola

eu gostava de ver artesanato...mas sou muito longe !!!!

boa semana