sábado, 3 de janeiro de 2009

Açorda

Apresentar uma açorda, no início do ano, pode parecer de mau agouro por lembrar um tempo de escassez. Mas talvez assim não seja, se atendermos aos acompanhamentos servidos, ou ao preço que é praticado nos restaurantes. Certo é que a açorda, ou sopas de alho, confeccionada com a água do bacalhau, enriquecida com o peixe e os ovos escalfados ou cozidos, ou apenas com o sabor dos coentros, do alho e do azeite, sempre serviu à mesa do rico e do pobre. Consoante os gostos, a época do ano e as posses de cada um, era servida com sardinhas assadas ou fritas, pescada, os já referidos bacalhau e ovos, com figos, uvas, ou com uma mão cheia de azeitonas britadas.



O pão de trigo tem de ser duro e deve ser partido à mão. Deitada a água sobre a pasta de alhos, sal e coentros pisados, já regada com azeite (há quem acrescente tiras de pimentão verde), junta-se o pão ao caldo e tapa-se a tigela, para “abobrar”. Ah, e para quem aprecia, não esquecer que os coentros podem ser substituídos pelos poejos!
Então, nestes primeiros dias do ano, depois dos excessos gastronómicos, nada melhor para desenjoar! E vai daí, é uma boa medida para acautelar as finanças, que os dias não estão para desperdícios, nem das sobras do pão, agora que se anuncia a subida dos preços.

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