segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O deus solar e os senhores do gelo



Faltava vir aqui. Passou o Natal, veio o Ano Novo e faltava procurar o céu e o calor solar. Símbolo de vida e de força – disseram-me – o Sol regerá 2009.

Procuro o Sol, esse que se esqueceu de brilhar em Gaza, em Israel, num quarto de hospital … Porque todos os lados têm inocentes. Porque todos os preconceitos queimam como o gelo que corta as madrugadas. Porque são frios, demasiado frios, os dias em que alguém dorme na rua, os dias em que as fábricas já não abrem, o dia em que alguém disse um adeus definitivo.


Falaram-me do trânsito dos planetas, da energia que quebra os padrões negativos. Então, procuro o Sol para combater os dias cinzentos e afirmo:

- que todas as formas de amar são dignas;
- que toda a Terra é a nossa pátria;
- que todas as guerras são injustas ;
- que não há democracia, nem sucesso, enquanto persiste o desemprego e a exclusão;
- que em matéria de direitos humanos não há números: basta uma só injustiça para ser de mais.

4 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Também procuro o Sol, um raio que seja a espreitar por uma fresta... mas algo me diz que o Sol está a arrefecer e que qualquer dia até será escrito com letra minúscula!

Um raio de Sol para ti!!!

Muitos beijinhos!!!

marialascas disse...

Também procuro o Sol todos os dias!
E não podia estar mais de acordo com todas as palavras deste post!
E tb sou seguidora deste blog, mas tento e não consigo dizê-lo no lugar certo...
Mais um cessar fogo na faixa de Gaza... mas até quando a guerra?

perfume de laranjeira disse...

Haverá lugar no mundo mais perfeito, mágico, do que Almendres, para comungarmos, recebermos no seio do nosso corpo e da nossa alma o poder imenso do Sol?!
Quando volto a este teu espaço, sempre sou de novo surpreendido pela sua pureza e verdade, este teu lugar que me encanta e apazigua.
Porque as tuas palavras são sábias e belas, deixa-me responder-te, não pela minha voz, que sou o mais imperfeito dos seres, mas pela sublime do poeta Eugénio, que sabia que a Vida é feita de Luz mas também de escuridão, mas nunca é xadrez, e que se

"Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos,
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo no chão, apodrecidos."

significa que abdicamos de receber a Luz – e vemos o mundo tantas vezes a caminhar assim – e de subir os degraus na busca da perfeição, que provavelmente não existe mas de que não desistimos nunca, nunca!
Mas, o poder que o Sol me dá – Luz purificadora – como, de outra forma o mar imenso, faz-me acreditar, cada vez mais, com uma fé incomensurável, enfrentando-me a mim mesmo

"Frente a Frente

Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
Contra a carícia da espuma,
Contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte.
A mais vil, isso podeis,
- e é tão pouco!"

Sei que, como a papoila, que é frágil, muito frágil – mas é tão bela e poderosa a minha maior verdade – e tão utópica dirão - para enfrentar o medo, o ódio, a violência do vazio e da morte, crença imensa de que é urgente a

"Urgência

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão, crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhas claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer:
É urgente o amor
É urgente
Permanecer"

Obrigado. Obrigado por me recordares esse lugar mágico que guardo dentro de mim, que está vivo, tão vivo como a minha crença, única e imensa e perene: a utopia do Amor que construo diariamente!

Muita luz para ti!

Eduardo

Ezul disse...

Agradeço todos os comentários que aqui foram feitos, todos eles cheios de luz. E obrigada pelas palavras de Eugénio - palavras de cristal, puras, fortes, essenciais.