terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Nudez

Poderá A Origem do Mundo ser considerada pornográfica ou obscena?










Este espaço em branco simboliza o quadro onde ainda não se registaram todas as hipocrisias!

2 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Fantástico este quadro... infelizmente creio que não chegará para escrever todas as hipocrisias que há por aí... mantenhamo-lo branco, por ora!!!

Muitos beijinhos. Bom resto de semana!!!

Carlos Machado Acabado disse...

Há (continua a haver!) uma série de (enormes!) equívocos em torno da questão do corpo.
Nudez e pornografia, por exemplo, são comummente objecto (vítimas!) de confusões sem fim.
A seguir ao 25 de Abril, um conjunto de exibidores e editores astuciosos mas, em geral, iletrados agravou drasticamente a confusão, disponibilizando "pêle-mêle" "coisas" como (entre muitos outros exemplos) "A Laranja Mecânica" do Kubrick, "La Mamain Et La Putain" do Eustache, "O Último Tango em Paris" do Bertolucci ou "Salò" e a chamada 'Trigologia do Prazer' do Pasolini com os filmes da Laura Antonelli e a pornografia "açucarada" do Jaeckin e do Hamilton...
O resultado foi uma deformação agravada do modo de abordar em geral a "questão" do corpo e dos seus atributos [agora, em larga medida,libertos, um e outro, corpo e atributos, do "resíduo conceptivo" SUPOSTAMENTE "protector" da perspectiva 'funcionalista' e 'justificadora' da tradição judaico-cristã que pretendia que um corpo "não fica (como dizer?...) "completo" sem aparecer aos olhos de quem apenas deve "usá-lo" todo "recoberto" de "funções" e "vínculos funcionais" minuciosamente "justificadores"...]
O resultado foi, dizia, que se reforçou (agora em... "liberdade") a "ideia" de que o corpo é, "por obrigação e dever específicos", em última instância, "refém ideal" ou "refém PROVIDENCIAL" das respectivas "funções" nunca devendo, em caso algum, dispor de tempo para simplesmente ser ou para simplesmente ser-"se"...
Pornografia, porém, não é o corpo em si: é a colonização do corpo pela "sexocracia utilitária" em volta mas é, sobretudo, a colonização de um sexo pelo outro, o prolongamento «significadamente sexualizado» da androcracia circundante...
Do colonialismo de género que nunca deixou de existir...