quarta-feira, 1 de abril de 2009

Primavera

Timidamente, apareceram sinais aqui e ali, pequenas gotas de cor espalhadas na chuva. Hastes flexíveis e nuas bordaram-se de branco e rosa, ainda não tinha despontado o verde luminoso da folhagem. E de súbito a explosão: os tapetes coloridos, a folhagem densa, o renascimento em toda a sua plenitude. Registo imagens. Passam dias e surgem outras fases da cor, do revestimento dos campos – um processo que não espera… Talvez quisesse reter a magia da vida a despontar, a renovação…



Mas os olhares desviam-se, forçados, para outras margens. No regresso inquieta-me o tempo a escoar-se mais depressa do que a ilusão de guardar o que é jovem e belo. Sei que as pétalas são frágeis e delicadas como papel de seda, frágeis e efémeras como a vida.


Quando as primeiras pétalas caírem por terra, já os campos estarão completamente floridos – o velho e o novo, uma vez mais. Uma brisa morna soprará, aqui e ali, a futura Primavera… Mas cada momento é único! Quem dera que os olhares nunca perdessem de vista o que é fundamental!



Um comentário:

marialascas disse...

Emoção!Chega-me a Primavera olhos dentro! Já nem me lembrava como o Alentejo é bonito...