sexta-feira, 29 de maio de 2009

Janela

Deixo as janelas fechadas, muitas vezes, sem tempo para lembrar os dias em que os sons do campo entravam pelas ruas da cidade. O vento trazia o rebanho, e a imaginação seguia o vento, até a cor do mar entrar pela janela. Agora passo depressa pelas ruas, e até me esqueço desse desejo de transpôr o sentido do tempo... Mas olho a janela e guardo-a. Quem será a senhora das rendas e das rosas?



4 comentários:

Elisabete disse...

fiquei fascinada pelo texto...
( e pelo blog! Parabéns)

perfume de laranjeira disse...

O teu blog acaba sempre por ter a capacidade de me surpreender, pela subtileza, pela força suprema da terra, efémera e perene, como a papoila. Gostei da rtua janela... e o Naia também!... cantou um tema inédito, que aqui deixo registado... espero que gostes como eu gostei!...

"Gosto de olhar os lírios
de ver as rendinhas nas janelas.
Gosto de ver-te espreitar
por detrás das cotinas amarelas"

Francisco Naia

marialascas disse...

Desta vez, até porque já elogiaram o texto, eu fiquei fascinada foi pela foto!
Caramba!estou a roer-me de inveja: anos de cal, janela, rendas e rosas! Juro: está linda!
Claro que a inveja e só um floreado: sendo tua sinto-a um bocadinho minha.

Ezul disse...

Nem podia deixar de ser tua, pois conheces os segredos da cal antiga e as histórias que ela guarda nas memórias destas gentes.

Já disse um dia que a voz do Naia me faz sentir a terra e um certo sentido de eternidade (ou talvez seja uma questão de identidade, uma forma de manter a memória...)