domingo, 21 de junho de 2009

As minhas flores preferidas I




Madressilva - do emaranhado que se entrelaça nas barreiras rudes, o peculiar desenho das pétalas e um perfume que toca a raiz do coração.
Madressilva - talvez o poema que guarda os aromas das manhãs, a música dolente dos rebanhos, os risos das horas em que os anseios humanos se aquietam.
Procuro a palavra na poesia. Encontro-a nos versos do poeta.

Serão Palavras

Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens


Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração


Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.

Eugénio de Andrade, “Mar de Setembro”

6 comentários:

Vieira Calado disse...

Madressilvas lindas
para a voz do poetas!...

Cumprimentos meus

Carlos Machado Acabado disse...

A realidade já é, em si mesma (quando bem aprofundada e correctamente entendida) Poesia: a poesia original onde todas as outras radicam e, em última instância, se originam...
Eugénio é "apenas" uma espécie de 'espelho fixo electivo' onde a Beleza 'continua ainda hoje a reunir regularmente' a fim de celebrar-se "na mais pura e vibrante das intimidades possíveis"...

...Como, de algum modo, na bela fotografia que, hoje, encabeça esta simpatiquíssimo lugar de homenagem, cheio de sensibilidade e ternura, à terra que permanentemente flui...

marialascas disse...

A poesia existe na natureza, os sentidos apenas a "transportam" para as palavras certas.
Associava Eugénio aos jacarandás, às rosas, às palmeiras... não me recordava da madressilva. Muito Bonito!

Alexandre Júlio disse...

Que lindas Madressilvas!

Se bem me parece são vizinhas do Moinho do Cosme, do tal dia, tou certo ou não?

Menina eu já descalcei a bota, já postei o 16 de Maio, e tu, para quando está planeado o parto, ou é dividido por pequenos partinhos, hahaha!

Parabéns pelo teu amor pela Natureza e pelas coisas simples da vida.

Cumprimentos, Alex

Ezul disse...

Estas não são do 16 de Maio, ainda são do 18 de Abril, cujo nascimento está difícil. Quando tenho um tempinho, são as máquinas que não funcionam...

perfume de laranjeira disse...

Bem hajas, Manela, por nos recordares em cada texto, em cada poema, em cada imagem, sempre únicos, que não se Vive verdadeiramente "sem música no sangue", que nada se é verdadeiramente se, em cada minuto, não soubermos saborear a Poesia da Natureza, a verdadeira Poesia da Vida!

Bem Hajas!

Eduardo