terça-feira, 14 de julho de 2009

Do Montado ao rio Almansor: alguns registos.

Igreja de S. Gens


Maio pinta-se de uma cor intensa, já de oiro semeado, no auge da vegetação e da maturação dos aromas. O Alentejo é assim, um campo estendido onde se guarda o perfume da nêveda, as flores bebidas pelas abelhas, as plantas que saciaram a fome e curaram as dores do camponês. Do adro de uma igreja, espaço onde a cal e o azul e o tempo inscreveram o rumor das crenças, só o voo das andorinhas a trazer o contraste do pasto envolvente. E os passos dos homens seguem os caminhos, que as cercas escondem, a reavivar os percursos e as memórias, com os olhares atentos, com os gestos, com a voz dos guias.




Moinho do Cosme

Arenária

O Montado, fértil e frágil, como toda a Terra, testemunho de vivências humanas, ou do seu abandono, como o mar de sargaços que invade os recantos, os silvados, os coelhos… As linhas de água apontam a direcção do rio, como as estradas que levam por montes e moinhos roídos pelo silêncio e pela partida dos homens, mas o rouxinol sublima a música do campo, o rumor das azinheiras e dos choupos, as finas correntes que alimentam o tapete de hortelã brava.

Moinho do Almansor





rio Almansor





A história do rio persiste na levada, a música da água a lembrar a cadência das mós, um modo de vida narrado pelo antigo moleiro. As mós, o açude, as zorras, esculturas que emolduram o espaço onde, na frescura do choupal, se apreciam os sabores do pão, do queijo e do vinho.

Mestre Zé Salgueiro

À sombra do loureiro gigante, a enxada de repouso, um tanque de rega, os sulcos húmidos que alimentaram a horta.
Depois a estrada conduz ao lagar de azeite, leito de água férrea de onde se perdera já a cor da oliveira. Que estórias ficaram por contar? A barragem, as pastagens do gado, o verde das vinhas, a adega… o percurso do passeio campestre organizado pelo CEDA e pela MontemorMel, no dia 16 de Maio, e mais fielmente relatado se prosseguirem por aqui.


Barragem do Raimundo

11 comentários:

Carlos Machado Acabado disse...

Esplêndida iconografia!
"I AM impressed!!..."
Magnífico trabalho sem dúvida, entre o documental e o poético, numa gama variadíssima de 'registos' que apetece, de facto, ficar "horas a fio" a apreciar e a admirar, procurando (e achando!) sempre novos---e verdadeiramente deliciosos---pormenores!
Notável, sem dúvida!...

Rui Magalhães disse...

Belas fotos!

José Rasquinho disse...

Um belo trabalho, de escrita e imagem, sobre um passeio que tive pena de não ter oportunidade de fazer!
Mesmo com o abandono a que o Rio Almansor está votado, continuam a existir percursos lndíssimos, e cheios de história, em seu redor.
Parabéns!

Hugo disse...

e pena que eu seja tão longe .......

abraço

Alexandre Júlio disse...

A beleza eterna, deste Alentejo profundo!

É esta a magia que nos guia, é este o combustível que nos move!

Parabéns por mais este registo magnífico, realçando pormenores singelos da vivência das pessoas que fazem a beleza impar desta terra, as rendas nos postigos e janelas, o carinho e dedicação que o ti Zé da Gaita e a esposa dedicam ao seu jardim e ao Moinho do Almansor, o orgulho que lhes vai na alma ao abrirem a sua porta aos visitantes, Uau!!!!!!!!!

Fotos lindas, narração irrepreensível, o Alentejo e as suas gentes genuinas merecem esta homenagem.

Agradeço as palavras simpáticas, do teu sempre agradável voo, pelas abelhinhas, bem hajas, um beijinho!

Alex.

Carlos Machado Acabado disse...

E como vai esse bom "Caramelo"?...
A "Tanas" e a "Nocas" exigem saber notícias desse seu primo afastado...
Não me largam com perguntas...
Querem MESMO saber, ham?...

Carlos Machado Acabado disse...

E como vai esse excelente "Caramelo"?...
Tem de dar novas dele: a "Tanas" e a "Nocas" estão ansiosas por saber desse seu primo afastado, ham?...

Ezul disse...

Pelas últimas fotografias que vi, parece que o Caramelo continua a honrar a Vida.

Ezul disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos Machado Acabado disse...

Isso é que é preciso...
Hoje mesmo, quando fui comprar o jornal, descobri mais um abandonado...
Cheio de sede e fome mas simpatiquíssimo!
Se eu tivesse condições, tinha-o recebido na "família"!
[Cá para mim, ficaram-lhe os olhos na "Tanas"...
Apanhei-a a escrever-lhe um bilhetinho para lhe entregar amanhã, quando for comprar o "Público" de Domingo...]

perfume de laranjeira disse...

Fiquei com "remorsos" de não ter postado sobre o passeio de dia 16, devido à falta de tempo, ao excesso de trabalho... todavia, indescupável. Mas depois de ver o poste do Alex, uma completa descrição bem documuntada com boas imagens, e agora com este teu belo texto e estas imgens perfeitas sinto que estou desculpado! postar para quê?!...

Beijos

Eduardo