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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Plantação de amoras

É tempo de amoras – amoras das silvas, que crescem selvagens pelas estremas, pelos emaranhados à beira das ribeiras, por entre as paredes abandonadas dos montes. Negras, saborosas, apetecíveis, mas que valem algumas picadelas terríveis. Agora imaginem uma plantação de silvas, bem controlada e cuidada, a encher-se de cachos com suculentas amoras, bem fáceis de apanhar.
Pois bem, essa plantação existe, graças ao empreendimento e à persistência do Sr. José Serra e da sua família, bem perto da cidade, na Quinta da Rebola, à saída para S. Cristóvão e ainda antes de chegar à ecopista. Por isso, nestes dias de Verão, nada melhor do que fazer uma caminhada e saborear o agradável paladar deste fruto tão saudável. Mas se a distância dissuadir alguém, aos sábados de manhã, numa banca do Mercado Municipal que está virada para o centro, há sempre umas caixinhas à venda. Será uma óptima ocasião para fazer uma encomenda, ou para combinar uma visita.


Fotografias obtidas no passeio dos Dias Tranquilos, no dia onze de Julho






Os anfitriões




Todos estavam muito entusiasmados com a colheita das amoras!

Imaginem agora o sabor desta compota e destas tartes!


6 comentários:

Carlos Machado Acabado disse...

Hmmmmmmmmmmmmmm!
Amoras!
Que delícia!
[Quando era miúdo, cai num valado cheio de silvas na Vila Nova de Caparica mas hoje estou completamentre reconciliado com elas.
Tento é não cair dentro de mais nenhuma mas comer amoras não digo nunca que não...]

Alexandre Júlio disse...

As Amoras Silvestres da Minha infância!

"Há no ar uma magia
desconcertante
e a luz tem o sabor
impregnado das amoras silvestres,
como se fora lua cheia
e os pirilampos ziguezagueassem
ao encontro do sonho
nos penhascos da via-láctea.

Sinto-me cheio da vontade
de ir na direcção do acaso
a colher amoras silvestres
e papoilas rubras de desejo
ouvindo o coachar de rãs preguiçosas,
ouvi o zumbido de abelhas ladinas
no silêncio de sombras vivas
à beira de caminhos feitos de passos imponderáveis.

Sento-me onde me sinto cansado
e retomo a marcha quando me chamam os pássaros
ou quando os latidos agudos dos cães vigilantes
demarcam o espaço entre o possível e o ímpossível.
Quando me deito é porque a noite me abraça
e envolto na sinfonia maniqueista dos ralos notívagos
dou de caras com a matemática da vida
e enceto a aprendizagem duma tabuada informal.

Somo parcelas imprevisíveis de vontade,
subtraio arremedos de decisão,
multiplico por ansiedade a demência do tempo gasto
e divido em partes iguais o que não é divisível.

E o que sobra, se acaso sobra,
não é resto nem quinhão,
é um conjunto de nada e vazio
que preenche tudo o que sou
até transbordar pelos poros cavados
na rudeza da pele gretada
como sulcos de arado no campo em pousio
onde não crescem nem cardos nem girassois,
nem hortênsias ou morangos,
mas germina libertinamente
a erva alta que ao longe parece seara
e ondeia como seara
e cresce, e vive, e amadurece como seara
que não é, mas parece ser.
..........."

Identifico-me muito com este poema, onde marcam presença as deliciosas amoras silvestres, que eu colhia nos silvados da ribeira, enfiava em longos pastos, e desafiava a concurso o meu irmão, a ver quem fazia mais enfiadas e com amoras maiores, que saudades deste campo, desta liberdade, .....

Parabens á Susana e ao marido, por estas delicías do seu cantinho, que eu bem conheço e consumo.

E á nossa Embaixatriz, o mérito de promover as gentes e saberes da nossa terra, dar voz aos que a não têm, para que estas actividades resistam neste mundo cruel e sufocante!!!!!!!!!

Um beijinho, Manuela, boas férias!

Ezul disse...

Também eu caí num monte de silvas. É que resolvi aprender a andar de bicicleta e, quando já me conseguia equilibrar, vá de ir ladeira abaixo, no monte do meu avô. A bicicleta não tinha travões, fiquei com medo de cair do pontão que havia lá mais à frente e guinei para o lado, onde estavam as ditas silvas. Grande ideia, já se vê! Gosto dessa imagem do valado de silvas na Caparica, faz-me recordar o campo que ficava atrás da minha casa, quando morava em S. Domingos de Rana. Costumávamos ir brincar junto de um pequeno regato. Guardo memória da camomila e também das campainhas amarelas, flores que mais tarde reencontrei no Alentejo. É estranho pensar numa Lisboa (arredores) campestre, mas a verdade é que lembro os silvados ao cimo da rua onde morava a minha tia, na Parede, tal como as flores azuis da Pervinca, que observava quando fazíamos o percurso desde S. Domingos até à Parede, a caminho da praia das Avencas.

Ezul disse...

Lindo poema! Gosto das imagens, das sensações! Quanto ao casal Serra, só espero que os seus projectos obtenham sucesso, já que são pessoas muito esforçadas e simpáticas. Dá vontade de fazer mais qualquer coisa para os apoiar… mas eu vou dar um salto às Abelhinhas e continuarei aí esta conversa.

Maria disse...

Vale a pena apanhar umas picadelas para as poder saborear. Até faz crescer água na boca.

mariabesuga disse...

Ah a mim também me aconteceu cair no silvado na tentativa de chegar às amoras mais inacessíveis. Eu cai e adivinha-se o resultado e elas continuaram lá parece que mais inacessíveis ainda. Menininha eu nessa altura...

Por aqui existem nos valados e é fantástico apanhá-las e ir fazendo fiadas num pastinho seco e depois de bem lavadas comê-las deliciada, aliás deliciados porque todos gostamos.

Um abraço para o Alentejo no sol daí que trago no coração.