domingo, 7 de fevereiro de 2010

Violetas

Um dia, ainda hei-de colher violetas brancas para as plantar nas ruas do meu monte. Plantá-las-ei, com os dedos a cheirar a terra, por entre os canteiros e o granito, junto ao alpendre, à beira do forno e do tanque. E as suas flores renascerão em cada ano, em cada dia que anuncie a dádiva da Vida. Hei-de colher e plantar violetas como quem seduz e guarda para si a alma selvagem da Terra. Enquanto o olhar seguir os bandos de patos bravos, enquanto permanecer o arrulhar das rolas, o voo das cegonhas…enquanto florirem as pétalas de esteva e vierem em mornas aragens o perfume da palha, a alma declamada na força telúrica do cantochão, as memórias contadas pela voz dos mestres sem idade…

7 comentários:

Armindo C. Alves disse...

Que texto bonito! Fiquei a sonhar, a imaginar tudo o que dizia e confesso que me apeteçeu
plantar violetas.
Parabéns pelo seu espaço, que já tenho visitado. Bom gosto, variedade de conteúdos e óptimas fotografias.

Beijinho.


Obrigado pelas visitas e comentarios. Espero por si.

Ezul disse...

O que nos leva a pensar também no paradoxo que resulta das marcas "violentas" que certas "insignificâncias" deixam na nossa vida. Ou na violência do imperceptível vivido em situações em que, na maioria dos casos, os agentes são insuspeitáveis (?). Sendo a dimensão humana feita de paradoxos, deixemos as violetas e as mimosas, já que os seus desconcertos são bem mais inocentes.

Canduxa disse...

As violetas são flores com grande significado para mim e por isso gostei tanto deste teu texto.

Um dia também hei-de plantar violetas num pedaço de terra no meu monte.

beijinhos

marialascas disse...

Bem, vou fazer um comentário maldoso, cheio de segundas intenções: no teu terreno virtual semeias violetas...

Carlos Machado Acabado disse...

Agora, fui MESMO eu quem retirou voluntariamente o comentário.
O texto a que ele se reportava, a imagem que o ilustra e a intenção com que foram, um e outra, originalmente postados num espaço a que me ligam já uma empatia, uma proximidade habitual de pontos de vista e um afecto pessoal, todos eles, muito especiais são demasiado bonitos, qualquer deles, para terem de conviver com uma piada sem demasiada graça que, não pretendendo pô-los minimamente em causa, não convive, como digo, de facto, muito bem, com o espírito muito respeitavelmente sério e pedagógico do espaço.
Retiro, por isso sem a mínima hesitação o meu comentário excessivamente ligeiro e em franca des-sintonia com o espaço e por justíssimo respeito para com ele.
Vai ainda um beijinho especial juntamente com a autocrítica...

Ezul disse...

Espaço sério? Mas que terrível seriedade!
:) :) :) :) :) :) :) :) :) :) :) :)

Carlos Machado Acabado disse...

Sério no bom sentido, claro!...

[Já agora não tem directamente que ver mas não resisto! Conhece aquela "chetória" do jogador de futebol que, admoestado pelo árbitro, de repente se virou para ele e disparou: "Então, isto é falta para cartão amarelo, seu filho da p.!..."
Mas, caindo bruscamente em si e vendo que o árbitro ia puxar do vermelho, atalhou de imediato, aterrado: "Filho da p.... no bom sentido, claro, no bom sentido!..."

Mas aqui foi MESMO no bom sentido.
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Um beijinho!]