segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ou céu...ou mar...



Nunca falei sobre o porquê da palavra com que me identifiquei, que aglutina Ébano e Azul, nem tão pouco direi agora do significado que tem. Mas, se há nomes que nos atribuem quando nascemos, também nós construímos aquele que simboliza o que somos, ou aquilo que julgamos ser. E este nome é meu, indiscutivelmente, e levá-lo-ei, guardá-lo-ei comigo. Também nunca comentei a perplexidade que senti quando surgiu esta modalidade dos seguidores de um blogue, como se não fosse possível exprimir o nosso interesse e a nossa empatia através dos comentários, como se não houvesse uma ferramenta que permitisse adicionar os favoritos e como se não fosse tão fácil, com um simples “clique”, acompanhar os textos, as imagens e os pensamentos dos amigos (mais ou menos recentes) e de outras pessoas com as quais nos começámos a sentar à beira de um campo de trigo.
Aos que foram, aos que permanecem e aos que vierem (caso venham), digo-lhes que aqui ficam as palavras de que fui capaz (são apenas palavras mas, se delas retirarem as emoções…), ficam as imagens, que não são minhas: as plantas, as flores, os rios permanecem (se o ser humano fizer por isso) e o gesto de usar uma máquina não é mais do que uma tentativa, talvez um acto um tanto ou quanto ingénuo e algo desesperado de imobilizar o tempo e a beleza das coisas, uma tentativa de guardar a vida… um gesto tão inútil em relação aos meus pequenos felinos que desapareceram por algumas destas estradas.
Acredito que não há melhor momento do que a Primavera para colocar um ponto final num texto que fala da terra a fluir. Apesar de tudo, a Primavera far-nos-á acreditar que “nada se perde” e que “tudo se transforma”. Talvez seja assim… talvez nos encontremos por aí.
Um abraço enorme e sentido!

Ezul

12 comentários:

marialascas disse...

Vou fingir que não entendi, até porque a Primavera ainda não acabou! Identifico-me: sou Seguidora.

Armindo C. Alves disse...

Eu vim, fiquei e quero continuar. Vou vendo o fluir da terra.

Beijo.

Armindo C. Alves disse...

Eu vim, fiquei e quero continuar. Vou vendo o fluir da terra.

Beijo.

CarlaSofia disse...

Nada se perde, tudo se transforma. Esperemos a mudança, mas continuamos por aqui.
beijinhos*
~universosquestionáveis~

Canduxa disse...

"Nada se perde"... também não quero perder estes momentos lindos, estas palavras que nos falam da natureza e nos enchem o coração de alegria.
Virei aqui...até que tudo "se transforme".

cheguei aqui para aprender e partilhar...nada mais belo.

beijinhos

lis disse...

Oi Ezul
Vir aqui no seu sítio e nao voltar é impossível.
Tudo flui e se encaixa perfeitamente como ceu e mar.
Adoro sua poesia na escrita, há energia doce , leve e um coração pulsando como o meu assim romanticamente e preocupada com as flores, os rios . os prados.
É aqui que preciso e quero vir. És favorita!
Obrigada por preocupares com uma desconhecida de tão longe. Fico grata mando abraços e digo-te que estou bem , longe das encostas e sofrendo pelas vítimas que vivem tão mal nesse país que poderia cuidar melhor do seu povo.
Falo disso em outra ocasião.
Beijinhos , fique bem

Carlos Machado Acabado disse...

Mas, oh 'Ezul', os "seguidores" são pessoas cuja simples presença nos estimula invariavelmente, queiramo-lo ou não, sempre um pouco, de cada vez que "embatemos de frente" na realidade de uma certa solidão mais física ainda do que mental que continuamente nos ameaça e que fica sempre, também, assim, em maior ou menor escala, à porta das nossas palavras [e das nossas inquietações, das nossas angústias pessoais, das nossas fragilidades interiores!] enquanto for havendo... " seguidores" para tudo isso, TAMBÉM.
São pessoas que nos ajudam a fingir ao menos que essas angústias, essas fragilidades, essas inquietações não existem ou, se existem, não constituem obstáculos inultrapassáveis e limites efectivamente insuperáveis à nossa própria possibilidade efectiva .
Estão "ali" e, por eles, ficamos a saber que aquilo que fazemos não é APENAS E SÓ dialogar mais ou menos obsessivamente com os nossos demónios e fantasmas interiores, mas a hipótese [ao menos, a hipótese!] de uma verdadeira comunidade utópica final de espíritos e, por via dessa possibilidade, o embrião de uma verdadeira Cidade Cultural [e Mental] que, sem isso, dificilmente será possível---sem esse esforço e esse abraço mudo, esse cingir silencioso mas encorajador do braço ou da mão que, solitária, escreve e que nos chega na forma de uns quadradinhos minúsculos que cintilam sem, em muitos casos, dizer ou pedir o que quer que seja.
Eu, sempre que perco um "seguidor", sinto [literalmente!] uma dor, uma tristeza e uma solidão dificilmente explicável em termos completamente racionais [também, quem quer ser completamente racional, não é?
Morria em pouco tempo "de pasmo" e/ou de... "insuficiência existencial" ou coisa que o valha, acho eu!...] e impossível de exprimir por palavras.
E nunca deixo de lembrar aquelas palavras espantosamente intemporais e prodigiosamente incisivas do Donne: "no man is an island, entire of itself [and] any man's death diminishes me because I am involved in mankind"
Eu sou, de facto, dos que nunca "mandam perguntar por quem dobram os sinos": sei que é sempre, no limite, por MIM próprio que eles dobram.
Perder um amigo é, definitivamente, uma forma interior de morte que eu nunca deixo de experimentar sempre tal acontece.
Eu resumo a Amizade dos Amigos especiais---dos verdadeiros, daqueles que eu sou, às vezes, capaz das maiores indignidades apenas para NÃO perder, naquela frase do Chaplin que, ainda não há muito, repeti a um desses: "Obrigado especialmente por existires!"
Por isso, não me mande embora, ouviu?
Eu sou dos que estão aqui para ajudar, muitas vezes apenas com o seu silêncio envolvido e cúmplice, a mais bela das terras que conheço a fluir...

Carlos Machado Acabado disse...

http://www.youtube.com/watch?v=fd_nopTFuZA


Experimente, "Ezul"...
Vai, seguramente, gostar tanto [QUASE tanto...] como eu gosto de vir até aqui, diariamente, ver a terra fluir como só aqui ela sabe fazer...
Um grande beijinho!

Carlos Machado Acabado disse...

La Mer


La mer
Qu'on voit danser le long des golfes clairs
A des reflets d'argent
La mer
Des reflets changeants
Sous la pluie

La mer
Au ciel d'été confond
Ses blancs moutons
Avec les anges si purs
La mer bergère d'azur
Infinie

Voyez
Près des étangs
Ces grands roseaux mouillés
Voyez
Ces oiseaux blancs
Et ces maisons rouillées

La mer
Les a bercés
Le long des golfes clairs
Et d'une chanson d'amour

La mer
A bercé mon coeur pour la vie..

Beijinho Amigo!

Carlos Machado Acabado disse...

Relendo o que escrevi atrás, constato embaraçado que disse, a dada altura, exactamente o contrário [!] daquilo que queria dizer...
Quando, com efeito, falava daquela imensa "solidão do 'blogger' no acto de... 'bloggar' " referi-me a ela dizendo que era "mais física do que mental".
Não é---nem era isso que eu queria dizer, claro: o que eu queria MESMO dizer é que essa solidão [que, suponho eu, aliás, todos, naquelas circunstâncias, em maior ou menor escala, sentimos, é mais MENTAL [e, às vezes, até mais moral...] do que FÍSICA e não o contrário, claro.
Isto de a gente ter o corpo num lado e a cabecinha noutro só pode mesmo dar é nisto...
Ai, ai...
O que vale é que a "setôra" é boazinha e desculpa...
Dá... o desconto...

Ezul disse...

Por ser tão impulsivo e urgente, apercebo-me agora que o meu texto deixou incompleta uma história, o que não faz justiça a todos os seguidores deste blogue. Com efeito, o início da história é este: só me decidi a introduzir esta aplicação quando reparei que, quando entrava na administração do blogue, por lá encontrava a identificação de um perfil que, mesmo assim, se assumia como seguidor. Nesse momento, pensei que tinha de dar visibilidade a quem, desse modo, vinha mostrar o seu interesse por aquilo que eu publicava. Demorei, igualmente, a tornar-me numa “seguidora” assumida, ainda que visitasse muitos deles diariamente. Mas, como se tornou evidente, rendi-me a tais formalidades e, hoje, se não aumentei a minha lista, foi apenas porque não consigo ter tempo suficiente para ler com a atenção que merecem, muitas das páginas que por aí existem. Se nem o consigo fazer, tão pouco, com os que efectivamente sigo… e, neste caso, não consigo deixar de sentir como se estivesse a falhar, de alguma forma, essa espécie de compromisso que assumi no momento em que cliquei naquele dito quadradinho. No final da história ficam duas notas: a da importância que essa presença passou a ter para mim (e não posso deixar de subscrever a ideia de que eles são o estímulo que nos faz procurar mais uma imagem ou mais um texto); e o sentimento de reconhecimento que a todos é devido. Muito obrigada pela vossa presença e pela partilha!
:)

Carlos Machado Acabado disse...

Como diria o bom do meu Tio Wilfred quando alguma coisa lhe agradava, com aquele sorriso 'muito transparente e muito azul' que ele tinha:
"AH! NOW we're going places!...
That's more like it!..."
Ou, como preferia dizer, por sua vez, a Dona Delmira, a minha professora da "primária" [que desconheço se sabia inglês, que foi também, acho eu, o modelo por onde o "alfaiate" que as "faz", "talhou" TODAS as professoras primárias e se fazia entender como ninguém]: "Ah! Agora-agora! AGORA, ouvi!..."
Eu acho que ninguém aqui duvidou alguma vez da Amizade, da Sinceridade da Amiga Ezul e, sobretudo, da importância que ela atribui não só a ambas mas a quem, por sua vez, lhe retribui uma e outra com
a mesma incondicional vontade, o mesmo entusiasmo e a mesma inabalável cumplicidade de sempre: a terra voltou a fluir como só ela sabe e no único lugar onde ela o faz EXACTAMENTE como "isso de uma terra fluir" deve ser feito...

Um grande beijinho e um excelente dia de trabalho, ouviu?...