terça-feira, 25 de maio de 2010

Certos paraísos










Há certos paraísos que têm a dimensão humana, na verdadeira (naquela que queremos que seja a mais genuína) acepção da palavra. Como paisagem enquadrada num espaço classificado que merece a atenção daqueles que zelam pela defesa do ambiente e pela preservação das espécies, aspecto imprescindível para a manutenção do equilíbrio desta terra que somos todos nós, não deixa de guardar em si os traços das vivências camponesas, daquelas comunidades que tão bem conheciam, de forma empírica, o verdadeiro significado de ecossistema e de biodiversidade. Pouco interessará proferir aqui o nome do lugar, da ribeira, do açude, das gentes que percorrem estes trilhos, alguns dos quais guardam ainda esse aspecto rude e selvagem das barreiras de xisto, de um chão de terra piçarrenta; fundamental será revelar como a população da aldeia ainda guarda a memória de uma salutar relação com o campo, com o prazer dos banhos no rio e das travessias sobre os seixos, as correntes ainda límpidas, as pescarias sob o abrigo dos recantos mais frondosos.
Campos de trigo - searas, ramos de papoilas e de malmequeres, lírios do monte, maios espalhados pelas barreiras, uma orquídea despercebida…e a apanha da espiga, a memória do trabalho, o conhecimento das plantas e dos caminhos, a memória dos montes e da famílias, das alcunhas, o reconhecimento dos locais que acolhem as famílias e o grupos na segunda-feira de Páscoa… Não há palavras de ordem; alguém colhe uma flor aqui e ali, pois colhe… mas os sinais de satisfação por uma terra que se mantém como a memória guardou são tantos, que não podemos deixar de acreditar que há, algures, certos paraísos guardados na identidade de uma comunidade camponesa.












17 comentários:

CarlaSofia disse...

Simplesmente lindo!!!
Fico deliciada com estes paraísos.

Carlos Machado Acabado disse...

Muito bonitas as imagens, de facto!
Muito bonitas e sugestivas!
Se eu tivesse de pontuá-las, de 0 a 20, dava... 22 à do "bayou" ou dos "mangais" à portuguesa e... 24 à do 'monte' soliário.
Qualquer delas explica, só por si, a razão básica, fundamental, pela qual é impossível resistir à [boa! À excelente e salutar!] "tentação" de aqui voltar, uma e outra vez.
Porque, havendo aqui, com efeito, sempre formas [extremamente criativas, aliás!] de reinventar plasticamente, de modo sempre muito cuidada e muito sensível, muito delicadamente feminino, a realidade do campo, nunca deixa de fazer-se sentir, por outro lado, a capacidade para mobilizar-nos, ao mesmo tempo, para a própria realidade que serve de sujeito à referida recriação, nunca se perdendo, desse modo, esse nexo essencial entre representação e representado que é uma das componentes mais importantes e essenciais da Arte interveniente e social e política---e, em geral, cultu[r]almente---responsável.

lis disse...

Felizes os que podem e sabem apreciar tanta beleza!
Voce disse tudo , já não há mais palavras. só contemplação.
abraços e parabéns pela publicação que partilhas.
beijinhos

Sofá Amarelo disse...

Não digas onde são estes paraísos, guarda-os para ti, não por egoísmo mas com simplesmente com o intuito de os preservar...

Carlos Machado Acabado disse...

Naufragado à força na Subúrbia [hoje-por-hoje, a maior cidade do País...] não resisto a vir aqui de vez em quando, lavar... "os olhos da alma" dos resíduos de betão que inevitavelmente se lhe colam...
De facto, se a Subúrbia é a maior cidade do País [e, infelizmente, é!] este inestimável "Fluir" ´de seguramente a mais bela e acolhedora das Cidades virtuais que por aí proliferam!
:-)

Carlos Machado Acabado disse...

Mea culpa!

Por... "mea culpa", com efeito, o último parágrafo do meu comentário anterior saíu incompreensível porque [volto a dizer: "mea culpa"!] troquei o que devia ser a forma verbal "é" por um inexplicável [e absurdo] "de" na frase em causa cuja forma correcta e entendível é:

"De facto, se a Subúrbia é a maior cidade do País [e, infelizmente, é!] este inestimável "Fluir" É seguramente a mais bela e acolhedora das Cidades virtuais que por aí proliferam!"

Assim é que devia ter saído---e teria saído assim se quem o fez sair não fosse... "cabeça no ar"!...
As minhas desculpas à anfitriã e a quantos terão lido a frase em busca de um sentido que só com algum esforço seria possível encontrar e mesmo assim só pondo-o lá primeiro...

Carlos Machado Acabado disse...

[] and :*

Jose Sousa disse...

Fiquei deslumbrado não só com seu blog, como também pelas suas postages, maravilha! Gostei e irei continuar a vir aqui!
Conheça os meus em:
www.congulolundo.blogspot.com
www.queriaserselvagem.blogspot.com

Um abração do tamanho do mundo.

marialascas disse...

Belas paisagens e ainda mais belas palavras.

▒▓█► JOTA ENE disse...

ººº
Essencialmente gostei das fotos.

Canduxa disse...

Que lindos paraísos e como seriamos mais felizes se aí pudéssemos viver sempre.
Um dia ainda vou viver no meio de um paraíso assim.


obrigado pela partilha, fiquei encantada!

Alexandre Júlio disse...

Que maravilha, as imagens que nos trazes, Hummmmmm!!!!!

Que saudades já tinha, do teu cantinho.
Parabéns, pela intensidade do amor que dedicas á natureza, as tuas palavras, a pertinência dos teus temas.
Pena tenho eu de não ter tempo para dedicar assim ás minhas abelhinhas.

Espreita, pelo postigo, o nosso passeio molhadinho, mas nem por isso menos interessante.

Bjs e boas Férias, Alex.

Aves Matos disse...

Paraíso encantador.. Estas fotos são realmente muito bonitas. Parabens...
Edu Matos

Carlos Machado Acabado disse...

Não resisti a voltar aqui para matar saudades destas belezas tantas vezes manosprezadas e ao que tudo indica, a prazo, fatalmente condenadas por um "progresso de petróleo e betão", um "progresso eucalipto" que tudo seca e tudo destrói em seu redor!
Como muito bem o entendeu [e muito lucidamente aqui, quando pode, o vai praticando] a nossa Amiga Ezul, "o impossível é cada vez mais uma causa"...
Em nome do nosso Globo, um beijinho cordialíssimo e solidário à anfitriã!

Vieira Calado disse...

Ainda há paraísos na Terra...

Saudações poéticas,

Antonia Ruivo disse...

É destes matizes que me alimento, na força que o Alentejo transporta ao longo das gerações, as gentes do campo na sua sapiência tem conseguido perservar este cantinho que é de todos nós, são eles o exemplo que todos deveriamos seguir.Obrigado por este momento.

juju disse...

benditos sejam os paraisos que encontraste! e onde ficam essas maravilhas? serão alentejanas?
as janelas são lindas e a chaminé essa é unica que eu conheça aki em montemor. e tambem não conheço outra igual noutro lugar.
as fotos estão bem melhores será da makina ou de kem vê ?