segunda-feira, 18 de abril de 2011

Paisagem onírica








Há paisagens que reconheço dos sonhos, onde seres oníricos caminham ao nosso lado sem pressas e reservas, seres que falam a linguagem das tardes floridas e das sinfonias do campo. Há tectos de verde e de luz, recantos de esmeralda, caminhos por entre o arvoredo, canteiros onde semearam arco-íris…
Bastou um dia de calor, um momento à hora de almoço, a procura de um recanto cheio de frescura e de sossego e vi-me numa outra dimensão, cuja porta de entrada não vou revelar, por recear os ogres devoradores de cegonhas encantadas e de cisnes de ébano, ou algum troll que, movido pela ganância, arranque as flores na ânsia de encontrar os potes com moedas de ouro.

domingo, 10 de abril de 2011

Pirliteiro




Pirliteiro, árvore do coração. Alguém, há muito tempo, lhe aparou os ramos e a fez ser mais do que um arbusto espinhoso à beira da estrada de ferro. E hoje olhei a árvore. Não tinha gestos para lhe dar mas mergulhei o coração na ondulação dos seus ramos. Talvez fosse a sua voz... 

sábado, 9 de abril de 2011

jasmim


Espreitei a flor do jasmim quando a luz do Sol já serenava. O céu tinha a voz dos pássaros. O perfume das flores ali estava, à espera de pousar na mão aberta.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

É tempo de olhar o céu




É tempo de olhar o azul e de ver as cores reaparecerem em tons de verde e pétalas! É tempo de sentir a aragem do mar trazida pelas gaivotas que vêm do estuário do Sado! É tempo  de acreditar que nem o Inverno pode calar o sonho  e cortar as asas!

domingo, 30 de janeiro de 2011

O mercado municipal

Há largos anos que tenho o hábito de ir ao mercado. Porquê? Porquê... Gosto de mercados, da lembrança das “praças” que conheci na infância, bem distintas a do litoral e a da terra alentejana. Depois, atraída pelo movimento e pela cor, pelos sinais da fertilidade de uma terra, da vida e dos costumes de outras gentes, espreitei-os, sempre que me foi possível, nas cidades por onde passei. Guardei, das ilhas, o perfumado aroma dos frutos e a delicada mestria das flores de palha de milho, a extraordinária paleta de cores de um Mercado dos Lavradores; a paprika, em terras húngaras; o “sabe” encantamento de África negra; a força intensa das especiarias na Medina; a surpreendente visão dos espinafres selvagens (os nossos “catacuzes”) no mercado de Ceuta …

O mercado é um local de memórias – um local de histórias que ouvi, que imaginei, que conheci. Histórias de figuras típicas, de vendedores ambulantes, do vendedor que apanhava o peixe no rio, da velha Apolónia, de outros nomes que desapareceram, de bancas que ficaram vazias, da peça de barro, da figura do presépio, da fruta das hortas, do mercado mensal de roupa que acontecia no espaço exterior...

Recordo especialmente a imagem daquele velhote que estendia os seus produtos sobre uma saca, à esquina virada para a Rua Nova: ramos de oregãos e vasculhos em troca de uma moeda, uma preciosa moeda, certamente.

Há anos que o mercado deixou de atrair multidões. Outros tempos, outras ofertas, outras vivências que não se compadeceram com a beleza do edifício ou com a presença dos produtores locais, aqueles que ali trazem ainda o sabor genuíno da fruta e dos legumes, sem grande aparência mas com a qualidade de tudo o que nasce por obra de um saber antigo ainda aplicado nas hortas dos arredores. E há ainda por ali o molho dos oregãos apanhados nos valados, os cardos já ripados, os espargos, as azeitonas temperadas com a água da chuva, os dióspiros gelatinosos e maduros, as romãs e as nêsperas iguaizinhas às que íamos comprar às quintas: o mesmo sabor, sem tamanhos e cores impostas por decreto.

Hoje, procura-se reanimar o mercado. Chamam-se os produtores, mostram-se os produtos das associações locais, há espectáculos, diversifica-se a oferta, tenta-se combater o frio de quem continua, independentemente das condições, a tentar sobreviver. Mas há demasiadas ausências! Ainda que tenha aparecido mais gente, há muitas presenças que demoram. Concorrência dos hipermercados? Sem dúvida! O conforto de uma deslocação de carro para se encontrar no mesmo local tudo aquilo de que se necessita é um factor que não se pode ignorar mas, se para muitos já não se pode apelar a uma questão de memória ou de identidade, porque não pensar em razões tão simples e tão fortes quanto estas: a qualidade dos produtos e a sua origem. É que este pode ser o contributo de cada um de nós para ajudar a reanimar a produção local!


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Flores azuis!

Hei-de trazer para aqui as flores azuis, aquelas que se elevam dos muros a louvar o sol! Porque há flores que são eternas e que nos falam do que é risonho e bom!Hoje preciso de flores dessas!
Ao entardecer, os pardais agitavam-se nos ramos das palmeiras, nos revoltos caules da buganvília. Pergunto-me se o abrigo os protegerá do frio e se o bando afastará deles a solidão. Frágeis aves! Onde irão eles colher as suas flores azuis?

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Notícias do reino verde






Alentejo
A luz que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...          
                      Miguel Torga