sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Noite de bruxas

Que noite de bruxas, húmida e fria, pouco acolhedora!
Mas se tiverem de percorrer caminhos, não se detenham nas encruzilhadas. Protegidos por bons agasalhos e botas impermeáveis, escutem os sons nocturnos e façam um esboço de dança... mas lamentem o pobre condenado que percorre as sete vilas encasteladas. Quanto não vale um serão à lareira, contar uma boa história de bruxas e lobisomens!
Abóboras esculpidas, não há! Ah, mas um feijão com mogango a fervilhar na panela de barro, um cozido de grão, uns brenhóis salpicados de açúcar e canela... E um bom chá de poejos, para afastar catarros que assustam mais que os medos.

sábado, 25 de outubro de 2008

Cogumelos

Disseram-me, há uns dias atrás, que o tempo estava propício ao aparecimento de cogumelos. Com efeito, hoje de manhã, observámos alguns nos terrenos próximos das Caeiras e da ermida de S. Luís da Mougueira, mas não houve tempo para os fotografar, uma vez que o passeio tinha como destino conhecer os lindíssimos frescos de algumas ermidas e igrejas da região.

Recuperei as fotografias registadas noutros momentos e noutros locais, só porque sinto curiosidade pela sua forma, cor e volume.



Não os identifico, não sei reconhecer os que são comestíveis e nunca me atreveria a fazer, sozinha, a experiência. Contudo, em Maio, tive oportunidade de acompanhar quem os colhe e consome regularmente. Explicaram-me que quando estão muito abertos já não se podem aproveitar, indicaram-me alguns pormenores que caracterizam as espécies comestíveis e, logo depois, seguiu-se a demonstração culinária.



Pude comprovar o sabor extraordinário e a textura acetinada, apreciando sobretudo os boletos. Foi um verdadeiro festival gastronómico, que incluiu espargos e túberas. Quanto a estas trufas, espero um dia conseguir vê-las no campo. Por enquanto, guardo a memória de tais sabores e reservo para os dias de Novembro a recolha de bolotas doces e a confecção do bolo e do pão de bolota.

domingo, 19 de outubro de 2008

Flores de Outono


Nascem com os primeiros sinais de humidade e sobrevivem, mesmo que a chuva seja escassa. Registei a sua imagem e recupero-a para sobreviver, também, a um dia sem voos e sem romper os limites da urbe.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Cronologia

O vento deixou visível o ninho, já abandonado.

As cores foram-se misturando.

Vestígios da primeira chuva, gotas preciosas.

Caíram, aqui e ali. Coleccionei-as.

Lentamente, afundaram-se nos lagos do jardim, na água das bermas.


Manto seco, guardei o desenho das mais perfeitas.

Ficam guardadas as folhas douradas e os frutos, até ao Natal.

Impedimentos



Eu até pretendia actualizar o blog com mais frequência mas, por vezes, há certos impedimentos...

domingo, 12 de outubro de 2008

Outono

Gosto do Outono (o que é inevitável num escorpião) quando o céu vem fechar-se em tons de cinza sobre os dias, ou quando uma luz serena acolhe os cambiantes verdes, amarelos e castanhos da folhagem. Dos dias quentes e abertos aos horizontes mais vastos, ficou apenas o desejo de seguir num voo de pombos bravos. Do esplendor da cor à desagregação das folhas amontoadas, o sono adormecido dos plátanos da avenida, dos choupos das margens da ribeira. Gosto de caminhar sobre as folhas e de festejar as primeiras chuvas: vem de longe o cheiro da terra molhada, intensifica-se. Desagregação e húmus: pouco demora o nascimento da erva fina, orvalhada pela manhã, como as pérolas que a neblina prende nas teias.
Nada há de triste, nada se perde, nem a cor, nem a vida.

Reencontro caminhos, as memórias das veredas e das azinhagas, o cheiro da lenha a queimar e das panelas de barro, dos marmelos assados na cinza quente… O cheiro a cozinha de campo, a fornada de pão quente; as primeiras mantas - refúgios interiores, enquanto o desenho da água desliza nas vidraças.

Não há timbres agudos e vozes cheias, sons de multidões em praças abertas e ruas largas.
Mas há conversas baixinhas e diálogos à lareira, partilha de mundos e tempo para olhar para as pequenas coisas.



Viagens

Desfiz as malas, ajudaram-me os amigos que me queriam por perto, e guardei as viagens no álbum. Apenas fotografo emoções, que recupero sempre mais tarde, em percursos silenciosos.


Os últimos dias de Agosto passaram rapidamente e procurei fazer de Setembro – mês de eleição – o mês secreto das férias: ao fim do dia, aos fins-de-semana. Setembro, meu mês com sabor às avencas da praia, ao aquário vivo das rochas na baixa-mar. Marés vivas! Odor das dunas! Música das ondas! Trepidação do comboio, passagem de madeira! Paredes de hera e avenidas de plátanos! …
Um oceano distante trouxe-me o apelo de novos mares aprendidos à beira do Alentejo, ainda selvagens, como nas praias escondidas de Vila Nova de Mil Fontes, onde as correntes e os seixos não deixam vencer as águas. Oceanos de searas ou apenas de terra chã, tão intensa quanto o cântico que nasce do sentido da terra…
Setembro das primeiras chuvas, ainda à beira-mar. Nas montras das papelarias aparecia o material escolar colorido, novo, apelativo. Eram esses os sinais de que era tempo de regressar além Tejo, e a viagem fazia-se sem dramas, como se todas as passagens do tempo fossem naturais e o oceano ficasse guardado para um novo ano.

Hoje, há um mar distante, um nome de mês que ficou por recuperar.

sábado, 4 de outubro de 2008

Dia Mundial do Animal



"Não podemos ter um coração para os animais e outro para os humanos. Temos um único coração ou não temos coração de todo."
Alphonse de Lamartine
Citado por: Associação Pelos Animais