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terça-feira, 4 de maio de 2010

Maio de encantos!



Vêm-me à lembrança, neste mês de Maio, palavras de Brecht guardadas de uma exposição que impressionou vivamente o meu tempo de aprender Abril:

Como poderá o Homem comover-se com a Arte, se esta não se comover com o destino dos Homens?






Poderá a terra fluir se a voz humana não ecoar na esperança do verde, no sangue vivo da papoila, no fruto da seara que amadurece? Poderá o homem perder-se desta vontade de ser cor e seiva e flor e fruto - chão fértil, haste fecunda - a dádiva conquistada?



Oh, Maio! Maio de encantos, de Primavera - idade adulta, flor de vida, primeiros frutos…
Oh, Maio, que a cor de Abril não se dilua em chãos de nada, em espigas secas, em vontades abandonadas!



Em Maio:
o encanto do mais terno gesto que nos traz a beleza do cântico e do carácter!

sábado, 25 de abril de 2009

Papoilas em Abril


Gosto do perfume dos cravos, da firmeza e do recorte das suas pétalas, gosto da sua história e da paz com que selaram as bocas das espingardas! Mas prefiro as frágeis papoilas que crescem espontaneamente à beira das estradas e que se espalham como gotas rubras nos campos verdejantes. Gosto das papoilas, que floriam no meio das searas como um coração a bater, sangue que flui pela dádiva do pão, pela dignidade do trabalho e de todos os aspectos essenciais à vida. Soube de quem colhia as suas folhas e as escaldava para as transformar numa sopa comestível…Outros tempos?
Prefiro as papoilas, ainda belas e de cor intensa, insignificantes e autênticas, a lembrar os gestos singelos de um brinquedo de criança: “galo, galinha, frango, franganinha …” - boneca de saia vermelha e cabeleira negra.
Gosto das papoilas, crescem num qualquer recanto e à nossa beira. Não, as papoilas não guardam as suas pétalas para enfeitar discursos plastificados, vazios e alheios à realidade das pessoas – esses milhares de pessoas simples (algumas que conhecemos ao nosso lado, com um nome e uma história de vida), a quem dão o nome de percentagem, ou de estatística. Não, as papoilas têm a cor da força da vida mas também sangram e choram quando Abril fica encerrado num compêndio de História.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Nudez

Poderá A Origem do Mundo ser considerada pornográfica ou obscena?










Este espaço em branco simboliza o quadro onde ainda não se registaram todas as hipocrisias!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O deus solar e os senhores do gelo



Faltava vir aqui. Passou o Natal, veio o Ano Novo e faltava procurar o céu e o calor solar. Símbolo de vida e de força – disseram-me – o Sol regerá 2009.

Procuro o Sol, esse que se esqueceu de brilhar em Gaza, em Israel, num quarto de hospital … Porque todos os lados têm inocentes. Porque todos os preconceitos queimam como o gelo que corta as madrugadas. Porque são frios, demasiado frios, os dias em que alguém dorme na rua, os dias em que as fábricas já não abrem, o dia em que alguém disse um adeus definitivo.


Falaram-me do trânsito dos planetas, da energia que quebra os padrões negativos. Então, procuro o Sol para combater os dias cinzentos e afirmo:

- que todas as formas de amar são dignas;
- que toda a Terra é a nossa pátria;
- que todas as guerras são injustas ;
- que não há democracia, nem sucesso, enquanto persiste o desemprego e a exclusão;
- que em matéria de direitos humanos não há números: basta uma só injustiça para ser de mais.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Pela dignidade humana!

Dia da memória!

Para que se condene e rejeite a irracionalidade humana e todo o horror!
O horror que, na maioria dos casos, foi friamente racional. Essa foi a suprema monstruosidade!

Registem-se, pela dignidade humana, para que o esquecimento, a indiferença e a omissão não vençam:

- a coragem de Aristides Sousa Mendes.
- as palavras de Herbert Pagani:

"Tu commences à comprendre pourquoi je m’inquiète
Quand je vois le mépris qu’ont parfois tes enfants
Pour les Noirs, les Arabes, les Juifs, les Gitans
Qui n’ont pás le talent de passer pour poètes…"