
Gosto do perfume dos cravos, da firmeza e do recorte das suas pétalas, gosto da sua história e da paz com que selaram as bocas das espingardas! Mas prefiro as frágeis
papoilas que crescem espontaneamente à beira das estradas e que se espalham como gotas rubras nos campos verdejantes. Gosto das
papoilas, que floriam no meio das searas como um coração a bater, sangue que flui pela dádiva do pão, pela dignidade do trabalho e de todos os aspectos essenciais à vida. Soube de quem colhia as suas folhas e as escaldava para as transformar numa sopa comestível…Outros tempos?
Prefiro as
papoilas, ainda belas e de cor intensa, insignificantes e autênticas, a lembrar os gestos singelos de um brinquedo de criança: “
galo, galinha, frango, franganinha …” - boneca de saia vermelha e cabeleira negra.
Gosto das
papoilas, crescem num qualquer recanto e à nossa beira. Não, as
papoilas não guardam as suas pétalas para enfeitar discursos plastificados, vazios e alheios à realidade das pessoas – esses milhares de pessoas simples (algumas que conhecemos ao nosso lado, com um nome e uma história de vida), a quem dão o nome de percentagem, ou de estatística. Não, as
papoilas têm a cor da força da vida mas também sangram e choram quando Abril fica encerrado num compêndio de História.