Espreitei a flor do jasmim quando a luz do Sol já serenava. O céu tinha a voz dos pássaros. O perfume das flores ali estava, à espera de pousar na mão aberta.
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sábado, 9 de abril de 2011
terça-feira, 18 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Beleza



A beleza surge assim, quando menos se espera, à beira de um caminho, em lugares recônditos. Selvagens, bonitas e discretas, as pequenas orquídeas são registos singulares da preciosidade de uma terra que urge sentir e respeitar, de uma terra que é o próprio destino humano. Comover-se-á o homem com o seu próprio destino? Não será o seu gesto mais recorrente, o de estender a mão para quebrar a haste e ceifar a vida?
Estender a mão, tocar levemente, sacralizar todas as formas de vida...
Talvez aconteça um dia!
sábado, 10 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Amendoeiras em flor
No imaginário popular guardaram-se as histórias dos tesouros que os Mouros enterravam bem fundo, ao fugirem dos Cristãos, e das desditas causadas pelas Mouras Encantadas que a eternidade aprisionou no fundo dos poços e das fontes, ou no cimo das torres arruinadas.
Mais a Sul, a Lenda das Amendoeiras narra o amor de um poderoso senhor árabe pela doce Gilda, escrava roubada às terras do Norte. Diz-se, de tal senhor, homem de guerra e de vitórias, de saques e de despojos, que desposou a mais bela de todas as escravas, a menina que retinha no olhar as lembranças das auroras boreais e no tom da pele o manto frio dos campos cobertos de neve.
Mas, ofuscado pelos cânticos que soavam do seu harém, pelo arco-íris das sedas e das jóias, pela voz melodiosa das cítaras e dos alaúdes, por todas as riquezas e honrarias que colocava ao dispor da amada, não lhe restava tempo para ler a distância que crescia no olhar de quem apenas ansiava pelo regresso a casa. E Gilda, dia após dia, deixou que o azul dos olhos se enchesse do nevoeiro das manhãs cinzentas; o corpo fraquejou, sem que os físicos acertassem no remédio, sem que o poder e a vontade do senhor do Algarve fizessem lei. Até que chegou quem compreendia o mal que a dor e a saudade causam na alma humana e que, por isso, aconselhou o dito senhor a plantar amendoeiras pelos campos algarvios.
Diz a lenda que assim se fez, e que Gilda, ao olhar as árvores floridas, se curou.
Só não ficou registado quanto tempo durou a Primavera! E desconhece-se se algum dia aquele sábio teve coragem para defender actos de liberdade, ou o fim do egoísmo. Ou, quem sabe, talvez me engane… Talvez o Senhor Árabe tenha tomado o rumo do Norte, em direcção às montanhas, aos campos cobertos de neve, trocando o Sol da sua pele morena pela luz de um olhar cheio de auroras boreais. Quem sabe se não terá sido ele a espalhar, quando da sua viagem, as flores de amendoeira que encontrei pelos campos do Norte.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Flores
Ainda que fales da inutilidade das flores, festejarei com elas o recinto da casa, o percurso do barro, cada gesto dos braços em louvor dos astros.
Sim, as pétalas ir-se-ão desfazendo num rasto de cor, a imperfeita ilusão…
Ainda assim, semeá-las-ei no vento para exorcizar os dias esculpidos nessa fria e matemática certeza da inutilidade dos sonhos.
Sim, as pétalas ir-se-ão desfazendo num rasto de cor, a imperfeita ilusão…
Ainda assim, semeá-las-ei no vento para exorcizar os dias esculpidos nessa fria e matemática certeza da inutilidade dos sonhos.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Violetas
Um dia, ainda hei-de colher violetas brancas para as plantar nas ruas do meu monte. Plantá-las-ei, com os dedos a cheirar a terra, por entre os canteiros e o granito, junto ao alpendre, à beira do forno e do tanque. E as suas flores renascerão em cada ano, em cada dia que anuncie a dádiva da Vida. Hei-de colher e plantar violetas como quem seduz e guarda para si a alma selvagem da Terra. Enquanto o olhar seguir os bandos de patos bravos, enquanto permanecer o arrulhar das rolas, o voo das cegonhas…enquanto florirem as pétalas de esteva e vierem em mornas aragens o perfume da palha, a alma declamada na força telúrica do cantochão, as memórias contadas pela voz dos mestres sem idade…
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
As minhas flores preferidas II



Estas flores, as Saudades Bravas, foram fotografadas no início do Verão passado, bem perto da ecopista. Os idosos reconhecem-lhes propriedades medicinais; eu aprecio-lhes a beleza.
Não me consta que os poetas tenham perfumado livros ou versos com o seu ar singelo… talvez fossem enganados pela aparência desgrenhada das moitas… talvez não reparassem na variedade de cor, nos tons de púrpura…
Não me consta que os poetas tenham perfumado livros ou versos com o seu ar singelo… talvez fossem enganados pela aparência desgrenhada das moitas… talvez não reparassem na variedade de cor, nos tons de púrpura…
A mim, seduzem-me! E hoje, decididamente, resolvi semear flores por aqui.
Porque assim, amanhã, der por onde der, hei-de sentir o perfume das veredas!
terça-feira, 14 de julho de 2009
Do Montado ao rio Almansor: alguns registos.

Maio pinta-se de uma cor intensa, já de oiro semeado, no auge da vegetação e da maturação dos aromas. O Alentejo é assim, um campo estendido onde se guarda o perfume da nêveda, as flores bebidas pelas abelhas, as plantas que saciaram a fome e curaram as dores do camponês. Do adro de uma igreja, espaço onde a cal e o azul e o tempo inscreveram o rumor das crenças, só o voo das andorinhas a trazer o contraste do pasto envolvente. E os passos dos homens seguem os caminhos, que as cercas escondem, a reavivar os percursos e as memórias, com os olhares atentos, com os gestos, com a voz dos guias.


O Montado, fértil e frágil, como toda a Terra, testemunho de vivências humanas, ou do seu abandono, como o mar de sargaços que invade os recantos, os silvados, os coelhos… As linhas de água apontam a direcção do rio, como as estradas que levam por montes e moinhos roídos pelo silêncio e pela partida dos homens, mas o rouxinol sublima a música do campo, o rumor das azinheiras e dos choupos, as finas correntes que alimentam o tapete de hortelã brava.
Moinho do Almansor

A história do rio persiste na levada, a música da água a lembrar a cadência das mós, um modo de vida narrado pelo antigo moleiro. As mós, o açude, as zorras, esculturas que emolduram o espaço onde, na frescura do choupal, se apreciam os sabores do pão, do queijo e do vinho.
Mestre Zé SalgueiroÀ sombra do loureiro gigante, a enxada de repouso, um tanque de rega, os sulcos húmidos que alimentaram a horta.
Depois a estrada conduz ao lagar de azeite, leito de água férrea de onde se perdera já a cor da oliveira. Que estórias ficaram por contar? A barragem, as pastagens do gado, o verde das vinhas, a adega… o percurso do passeio campestre organizado pelo CEDA e pela MontemorMel, no dia 16 de Maio, e mais fielmente relatado se prosseguirem por aqui.

Depois a estrada conduz ao lagar de azeite, leito de água férrea de onde se perdera já a cor da oliveira. Que estórias ficaram por contar? A barragem, as pastagens do gado, o verde das vinhas, a adega… o percurso do passeio campestre organizado pelo CEDA e pela MontemorMel, no dia 16 de Maio, e mais fielmente relatado se prosseguirem por aqui.

domingo, 21 de junho de 2009
As minhas flores preferidas I
Madressilva - do emaranhado que se entrelaça nas barreiras rudes, o peculiar desenho das pétalas e um perfume que toca a raiz do coração.
Madressilva - talvez o poema que guarda os aromas das manhãs, a música dolente dos rebanhos, os risos das horas em que os anseios humanos se aquietam.
Procuro a palavra na poesia. Encontro-a nos versos do poeta.
Serão Palavras
Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens
Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração
Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.
Eugénio de Andrade, “Mar de Setembro”
quinta-feira, 18 de junho de 2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
domingo, 3 de maio de 2009
Orquídea selvagem
Encontrei-a na berma do caminho, logo no início do percurso pedestre. Creio que mais ninguém reparou e, no entanto, foi um dos momentos mais incríveis da caminhada.
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