sábado, 27 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Taipa
Ainda que não tenha memória da cadência do “apisoar” da terra dentro dos taipais, cada vez que encontro velhas paredes de taipa paro no tempo e observo os testemunhos de uma relação estreita entre o homem e o meio, de um equilíbrio que parece estar irremediavelmente perdido. Testemunho da terra que o Sul ofereceu às mãos dos mestres: o retorno ao seio materno simbolizado pela mamoa, a fertilidade do ventre configurada em sementeiras e frutos, a terra construída como abrigo - alicerces erguidos do chão e a ele regressados, terminado o ciclo.
Gosto de encontrar vestígios de taipa, essas já raras páginas de um livro onde se inscreveu “a poesia da terra”, a ancestral e equilibrada sabedoria de homens que conciliaram a terra e a pedra, o barro e o fogo. E que depois, num requinte de artista, lhe acrescentaram o branco da cal e o contorno do azul, talvez um pouco de mar, talvez um céu ímpar…
Gosto de encontrar vestígios de taipa, essas já raras páginas de um livro onde se inscreveu “a poesia da terra”, a ancestral e equilibrada sabedoria de homens que conciliaram a terra e a pedra, o barro e o fogo. E que depois, num requinte de artista, lhe acrescentaram o branco da cal e o contorno do azul, talvez um pouco de mar, talvez um céu ímpar…
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Flores
Ainda que fales da inutilidade das flores, festejarei com elas o recinto da casa, o percurso do barro, cada gesto dos braços em louvor dos astros.
Sim, as pétalas ir-se-ão desfazendo num rasto de cor, a imperfeita ilusão…
Ainda assim, semeá-las-ei no vento para exorcizar os dias esculpidos nessa fria e matemática certeza da inutilidade dos sonhos.
Sim, as pétalas ir-se-ão desfazendo num rasto de cor, a imperfeita ilusão…
Ainda assim, semeá-las-ei no vento para exorcizar os dias esculpidos nessa fria e matemática certeza da inutilidade dos sonhos.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Violetas
Um dia, ainda hei-de colher violetas brancas para as plantar nas ruas do meu monte. Plantá-las-ei, com os dedos a cheirar a terra, por entre os canteiros e o granito, junto ao alpendre, à beira do forno e do tanque. E as suas flores renascerão em cada ano, em cada dia que anuncie a dádiva da Vida. Hei-de colher e plantar violetas como quem seduz e guarda para si a alma selvagem da Terra. Enquanto o olhar seguir os bandos de patos bravos, enquanto permanecer o arrulhar das rolas, o voo das cegonhas…enquanto florirem as pétalas de esteva e vierem em mornas aragens o perfume da palha, a alma declamada na força telúrica do cantochão, as memórias contadas pela voz dos mestres sem idade…
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Verdes campos

Verdes São os Campos
Verdes são os campos,
De cor de limão
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração
Luís de Camões
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