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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Brinquedos

Mais uma vez, o mercado mensal de Vendas Novas, pouco antes do Natal. Acrescento umas miniaturas à colecção de artesanato: a “chocolateira”, os cântaros, o tacho para os assados, o “migalheiro”… Para compor a fotografia, acrescento um dos bordados que eram colocados na chaminé.



Estas peças de barro, há uns bons anos, não podiam faltar nas brincadeiras. Aliás, era nos pequenos tachos e panelas que se faziam as primeiras experiências culinárias: uma sopa ou arroz cozinhados à beirinha da lareira, ou numa das fogueiras que se acendiam na rua do monte. Era aí que se armava a cantareira.




Nos “patrimónios do nosso brincar, brinquedos e jogos das 4 cidades”, há uma referência a estes brinquedos: “Lá na altura do S. João é que ela comprava um brinquedozinho, um desses de barro, uma tigelinha de forno, um baciozinho ou uma cantarinha…”. Só no Verão, porque no Natal o que se comprava era alguma roupa ou comida.




Pois não me fiquei pelos barros e escolhi também uma carroça. Disseram-me que é uma carroça típica da Amareleja porque tem uma “ponte” atrás. É certo que não me recordo de ver tal peça nas carroças que circulavam pela vila de Montemor, mas essas lembranças já estão muito diluídas… lembro-me das grandes rodas de madeira e de umas carroças que tinham rodas de pneu… A carroça do Zé da Alberta, a carroça da mulher que recolhia as sobras para alimentar os porcos, os carros que iam descarregar os sacos de trigo ao moinho e, sobretudo, a carroça do meu avô e as viagens ao chafariz para encher os vários cântaros.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Moinhos e Cataventos


Canavora ou Canabrás






De Abril a Agosto





Cresce nas bermas das estradas e há quem diga que também tem propriedades medicinais. Por ser leve e resistente, era usada para fazer papagaios, moinhos e cataventos. Bastava cortar o caule, retirar-lhe o miolo, usar um pouco de arame, e era ver o efeito do vento.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Brinquedos tradicionais

Se há muitos anos atrás, sobretudo no meio rural, os brinquedos escasseavam, obrigando as crianças a recorrer à sua imaginação e aos recursos disponíveis, o que é certo é que até para aqueles que conheciam uma realidade mais generosa a natureza sempre funcionou como uma fonte inspiradora de brincadeiras, favorecendo a criatividade, a capacidade de construir e de imaginar mundos. Esquecendo por agora as colecções de carrinhos, os conjuntos de “lego”, os piões coloridos e musicais, os bonecos de corda, os livros de banda desenhada ou para colorir, os brindes dos gelados, todos eles manuseados e fruídos até ao limite, recordo diversas actividades cujo encanto residia precisamente na utilização de elementos naturais ou na satisfação de estar em espaços abertos.


Em primeiro lugar, enumeram-se as actividades de contacto com a natureza: os percursos pelos olivais ou pelo rio, à descoberta de recantos e de paisagens; a exploração dos caminhos por entre as rochas, assinalando trilhos e fontes de água férrea; a limpeza dos “pegos” e das fontes; a descoberta de plantas nas extremas (plantas aromáticas, medronheiros, plantas medicinais), os tufos de violetas brancas, os ninhos dos ouriços, os cardumes de minúsculos peixes ou alguma carpa maior a esconder-se nas lapas, as rãs, os girinos, os cágados…os ninhos nas ramadas mais baixas e o musgo mais perfeito… Descobrir, nas covas, as ninhadas de cães e gatos, esconder o segredo! Depois, era o prazer da recolha associada à descoberta: a erva cidreira e a salsa-parrilha, a erva de s. roberto, as rosas bravas, os medronhos, os cachos de amoras e as ameixas bravias (apesar do travo amargo), os ovos que as galinhas iam pôr a arredio, nos pastos das barreiras.


Havia os primeiros frutos maduros na horta: as ameixas e os abrunhos, as laranjas e as maçãs cunha, os marmelos e as gamboas, as nêsperas, os figos - exercitava-se a capacidade para alcançar os ramos mais distantes, para construir engenhosos ganchos de arame presos na ponta das canas. E subir às árvores, permanecer por entre a ramagem mais compacta de uma oliveira ou de um freixo, espreitar o rio do cimo dos troncos mais fortes, treinar o balanço nas hastes mais finas, fazer baloiços de corda de pneus velhos. Entrelaçar as hastes dos altos malmequeres, quase secos, já quase em finais de Maio, para formar túneis e labirintos.



Escavar degraus nas barreiras, escavar o barro, moldar a terra, cozer peças ao sol, treinar saltos das barreiras, preparar fogueiras na rua do monte, preparar refeições em miniaturas de barro, ir aos grilos, formar paredes com pedras e lama, preparar caniçadas, cortar o pasto, serrar a madeira, pregar as tábuas, fazer cabanas e habitá-las por breves horas, inventar aldeias de índios, atar os troncos, treinar jangadas, cortar as canas, armar os papagaios, fazer gaitas das canas e dos pés verdes das searas, transformar a “canavoura” em cataventos, e fazer carrinhos de arame ou deslizar nas aranhas…
E os jogos das escondidas no celeiro, por entre as sacas de trigo, no moinho velho, ainda soavam os engenhos e a água na levada … E o meu avô contava histórias e fazia bonecos dançarinos em cortiça!