sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Notícias do reino verde






Alentejo
A luz que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...          
                      Miguel Torga

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

À lareira


Vamos lá ver como param as modas ali pela horta mas, antes disso, se me permitem, façamos um pouco de história para que não comecem desde já a chamar-me gato vadio.

Não há, por mais que ande na ponta das patas e as sacuda com zelo, sítio seco onde pouse as minhas almofadinhas. É um desconforto dos grandes! O musgo está molhado, as pilhas de lenha estão molhadas, o telhado da capoeira escorre água…e o Bolinhas Rabicho aparece lá com ganas de me fincar aqueles dentes bem aguçados, a mim, que sou de paz e que já me queixo das articulações…





Nem os gansos têm um ar muito amistoso. Fazem uma barulheira danada que me acaba com a sesta, sempre que consigo enroscar-me dentro de um cortiço velho esquecido ao canto da oficina. Vai daí, ala para a cozinha, que está quentinha e seca, e acomodo-me no meu amigo mocho, ali mesmo em frente da lareira.






 Enrosco-me. Adormeço. Estremeço. Acordo. Espreguiço-me. Volto a adormecer. E sonho. Oh, se sonho! Com o quê?! Isso não conto, que sonhos de bichano não alegram leitor humano!

Espreguiço-me muito, isso sim, para desentorpecer os músculos. Sempre finjo que sou uma fera - “Olha os meus belos caninos!” - mas não tenho tempo para fantasias porque sou um gato asseado e já me atrasei para a décima quinta sessão de lambidela do pêlo.



E é assim esta minha interessante história de uma tarde de Inverno no Monte das Gigantas. Mas o que interessa afirmar aqui é que também não sou um gato borralheiro porque não fico a malandrar por muito tempo. Assim que o sono mais urgente é satisfeito, dirijo-me ao trinco da porta, pressão da patinha e claque, claque, passem bem que vou ver dos ratos ou de um pardalito mais apardalado…
Pois...lá pacífico sou, mas sou gato!

Quanto tempo pode durar o Inverno?



Por razões que nem preciso explicar, sinto um certo desconforto quando pretendo desejar os tradicionais votos de Ano Novo. Este tem sido um Inverno frio, húmido, cinzento e desanimador. Quanto tempo poderá durar o desalento? Para desejar um Novo Ano, apenas posso deixar aqui a luz e a cor que encontrei numa destas tardes, quando o céu se abriu e as árvores nuas se emolduraram de azul. Que seja sempre possível, nos tempos que se aproximam, querermos e termos vontade para olharmos para cima,  mantendo os pés bem assentes numa terra que não queremos que seja semeada de injustiça, de egoísmo, de exclusão.

Feliz Ano Novo 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Compostagem

A primeira vez que ouvi falar de compostagem, decidi experimentar, o que me permitiu reduzir o volume dos resíduos que deitava para os contentores do lixo e, ao mesmo tempo, me ajudou a obter matéria para fertilizar as mini hortas que vou cultivando quando o clima e o tempo livre permitem. Numa simples caixa de madeira fui depositando restos de legumes que se transformaram numa pasta fétida cuja grande vantagem consistiu na possibilidade de observar algumas aves que ali procuravam debicar umas migalhas de pão.


A adição de resíduos por camadas (verdes e secos)

Actualmente, o contentor e as informações obtidas na actividade organizada pelos Dias Tranquilos, realizada no núcleo ambiental dos Baldios, foram o ponto de partida para desenvolver o processo com todos os preceitos. Os resíduos verdes e secos são colocados de forma alternada, a humidade é verificada, assim como a temperatura, e a matéria em decomposição vai sendo remexida periodicamente para facilitar a oxigenação. O próximo passo será tentar obter borras de café para misturar mas, para já, tal não é necessário pois não surgiram odores desagradáveis, muito pelo contrário, uma vez que as laranjas que vão caindo das árvores vão sendo aproveitadas e vão aromatizando a mistura. Nem sempre sobra o tempo necessário para dar uma olhada ou para acrescentar mais alguns resíduos mas a verdade é que aquele contentor acaba por ser uma ajuda preciosa para eliminar as ervas e os restos que se vão acumulando diariamente. Aguardo, com expectativa, o produto que dali sairá e que espero que seja semelhante ao composto que pude observar na acção sobre compostagem. Assim sendo, cascas de batatas, de bananas e folhas secas, entre outros elementos, ainda hão-de alimentar futuras plantações de nabiças e vasinhos de aromáticas, para o bem do planeta e da minha bolsa, em tempo de crise.



A demonstração

A recolha dos resíduos


A actividade prática - pequenos troncos para dar estrutura ao composto e permitir a sua oxigenação

Uma forquilha para ir  acomodando ou misturando os resíduos

A adição de matéria seca

A utilização da vara de madeira para verificação da temperatura

Adicionar água na quantidade certa

Um compostor fácil de ter em qualquer  quintal ou  jardinm