Mostrando postagens com marcador Sol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sol. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A cor dos dias


Chamam-lhe abertas, aos rasgos de céu azul onde o Sol faz sorrisos e a luz se veste de cor: arco-íris, talvez um pouco de ânimo, corpo causal… Quis tocar o azul, o laranja, o anil… mas o céu fechou-se dia após dia.
E finalmente o Sol voltou, superando as horas em que os sentidos avivaram feridas por defenderem a memória e a imortalidade dos encontros entre seres efémeros, que se dissolvem no nevoeiro do tempo. Sei como as imagens se desvanecem, como foge da pele o toque do corpo físico e se esvaem gradualmente os traços da realidade. “Tinha quinze anos, era o meu primeiro amor, e eu já nem recordo o seu rosto” – dói-me a frase de Marguerite Duras, sempre que me assusto com o esquecimento e que, por isso, deito sal nas feridas. Depois é o espaço vazio das vozes, o abandono dos perfumes…
Mas o Sol regressa, intenso, e vivifica as hastes nuas das árvores. É por isso que guardo as imagens dos primeiros botões, talvez a ilusão dum renascimento, e saro o vazio dos dedos. Reaprendo as cores dos dias, invento jardins perpétuos que ofereço e que guardo, com os que partem, dentro do peito.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O deus solar e os senhores do gelo



Faltava vir aqui. Passou o Natal, veio o Ano Novo e faltava procurar o céu e o calor solar. Símbolo de vida e de força – disseram-me – o Sol regerá 2009.

Procuro o Sol, esse que se esqueceu de brilhar em Gaza, em Israel, num quarto de hospital … Porque todos os lados têm inocentes. Porque todos os preconceitos queimam como o gelo que corta as madrugadas. Porque são frios, demasiado frios, os dias em que alguém dorme na rua, os dias em que as fábricas já não abrem, o dia em que alguém disse um adeus definitivo.


Falaram-me do trânsito dos planetas, da energia que quebra os padrões negativos. Então, procuro o Sol para combater os dias cinzentos e afirmo:

- que todas as formas de amar são dignas;
- que toda a Terra é a nossa pátria;
- que todas as guerras são injustas ;
- que não há democracia, nem sucesso, enquanto persiste o desemprego e a exclusão;
- que em matéria de direitos humanos não há números: basta uma só injustiça para ser de mais.