Já desapareceram as árvores com folhas douradas, os resíduos do verde, os tons avermelhados dos diospireiros e das vinhas...
Guardo do Outono a imagem das cores, a recordação de breves viagens sob a névoa da chuva miudinha, o desenho da água a correr pelas bermas da estrada, pela vidraça do carro, o trepidar do motor e o calor de um casaco de lã a embalar a sonolência!
Percorro as imagens do S. Martinho: a visão do castelo, um sol tímido a abrir a luz da manhã, o rumor da multidão e dos festejos, o calor nas mãos, o doce fogo do vinho, o aroma e o sabor das castanhas, o perfume da madeira.
E eis que o Inverno chega, a espalhar cristais de gelo pelos campos.
Parecem mais frias, as paredes de pedra lá no cimo. Imagino enormes lareiras, flamejantes labaredas a iluminar manhãs cinzentas, sombras projectadas sobre as tapeçarias…
Mas nem o frio esconde as cores, imagens que capto, talvez na ilusão de guardar o segredo das madrugadas.





