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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Taipa


Ainda que não tenha memória da cadência do “apisoar” da terra dentro dos taipais, cada vez que encontro velhas paredes de taipa paro no tempo e observo os testemunhos de uma relação estreita entre o homem e o meio, de um equilíbrio que parece estar irremediavelmente perdido. Testemunho da terra que o Sul ofereceu às mãos dos mestres: o retorno ao seio materno simbolizado pela mamoa, a fertilidade do ventre configurada em sementeiras e frutos, a terra construída como abrigo - alicerces erguidos do chão e a ele regressados, terminado o ciclo.
Gosto de encontrar vestígios de taipa, essas já raras páginas de um livro onde se inscreveu “a poesia da terra”, a ancestral e equilibrada sabedoria de homens que conciliaram a terra e a pedra, o barro e o fogo. E que depois, num requinte de artista, lhe acrescentaram o branco da cal e o contorno do azul, talvez um pouco de mar, talvez um céu ímpar…