Ainda que não tenha memória da cadência do “apisoar” da terra dentro dos taipais, cada vez que encontro velhas paredes de taipa paro no tempo e observo os testemunhos de uma relação estreita entre o homem e o meio, de um equilíbrio que parece estar irremediavelmente perdido. Testemunho da terra que o Sul ofereceu às mãos dos mestres: o retorno ao seio materno simbolizado pela mamoa, a fertilidade do ventre configurada em sementeiras e frutos, a terra construída como abrigo - alicerces erguidos do chão e a ele regressados, terminado o ciclo.
Gosto de encontrar vestígios de taipa, essas já raras páginas de um livro onde se inscreveu “a poesia da terra”, a ancestral e equilibrada sabedoria de homens que conciliaram a terra e a pedra, o barro e o fogo. E que depois, num requinte de artista, lhe acrescentaram o branco da cal e o contorno do azul, talvez um pouco de mar, talvez um céu ímpar…
Gosto de encontrar vestígios de taipa, essas já raras páginas de um livro onde se inscreveu “a poesia da terra”, a ancestral e equilibrada sabedoria de homens que conciliaram a terra e a pedra, o barro e o fogo. E que depois, num requinte de artista, lhe acrescentaram o branco da cal e o contorno do azul, talvez um pouco de mar, talvez um céu ímpar…


