quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Natal das Pequenas Coisas

Hoje queria começar a construir “O Natal das Pequenas Coisas” mas a máquina digital avariou de novo. Queria usá-la na tentativa de encontrar as imagens perfeitas: a folha dourada que restou nos troncos da árvore, a textura rugosa de um nódulo do ramo da salva… Queria procurar o silêncio da busca que orienta a visão para a teia inundada de orvalho, as gotículas de humidade nos filamentos das hastes verdes, os restos do pasto, o insecto, a lagarta, as pequenas coisas… Porque as pequenas coisas nos olham em silêncio e nos enchem de voz, sem necessidade das palavras com que temos de preencher os dias. Porque as pequenas coisas são infinitamente maiores que as conversas e os cumprimentos de circunstância, os refrões profissionais, os papéis sociais. As pequenas coisas confortam-nos e trazem-nos de novo a casa. E deixam-nos olhar, ver, pensar, escutar, sentir… Cada Natal é uma listagem de lugares vazios, de gestos, de risos, de expressões e timbres ausentes de voz; são gestos e matéria física que não se toca nem se alcança. São-no os idosos, os jovens, os conhecidos, as referências a nomes sem rosto, aqueles que conhecíamos de vista e que deixaram de passar à nossa porta, que deixámos de encontrar no café, nos rituais quotidianos… São-no cada animal que partilhou o nosso espaço com o seu jeito de exprimir emoções, com a sua forma muito própria de rasgar sorrisos e transmitir afectos. Porque deles não trouxemos as mãos vazias: nos seus corpos sedosos e quentes enchemos a concha dos dedos e a paz do coração, na música de um ronronar, de um miado tranquilo. Incompreensível, cada desaparecimento. A noção recorrente de eternidade prende-se à nossa fragilidade, resiste à dúvida, ao agnosticismo, à lógica… para os humanos… Mas, e os outros seres? Quem disse que é justo o esquecimento? Quem disse que posso passar afectos como se fossem páginas de um livro que se folheia sem retorno? Realidade das pequenas coisas, só ela me confronta com as verdades da existência e me descentraliza de uma noção injusta do universo.

sábado, 17 de novembro de 2007

Saudade dos ribeiros. Saudade da chuva!

Um dos habitantes da ribeira de Valverde.

Crescem nas frestas das rochas, à beira-rio.




Ribeira de Valverde. "Descoberta" do último Verão.





Com o abandono dos "montes", a tramagueira apoderou-se dos nossos caminhos, pedra a pedra.






O Pego do Poço, há alguns anos, quando se podia nadar, pescar...










terça-feira, 6 de novembro de 2007

Floreiras




Moinho da Pintada
Em pleno campo, guardaram-se as flores com cuidado. Cuidadas, acarinhadas,
assim fosse a Terra, ferida de um Verão tardio e sequioso.



Em pleno campo, à porta de casa, plantam-se flores ano após ano, canteiros coloridos , bordaduras de hortas.



Igreja de S. Mateus













Mistérios de granito

Penedo intocado em território de antas e de menires. Altar da Terra!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Montado

Discretas mas perfeitas, as pequenas flores de Setembro que descobri há muitos anos, selvagens, a crescer por entre os rochedos da ribeira. Escolhi um nome para elas: Siljas, como a personagem de um livro de um autor premiado com o prémio Nobel... Durante algum tempo floriram num projecto de jardim, mas a beleza não se prende, não se guarda em redomas. Reencontrei-as onde a vida é autêntica.

Continuavam cheias de vida: mundo minúsculo...

Não resistimos a registar a sua imagem.