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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Os segredos de Monfurado

Conta-se, de Monfurado, que a serra testemunhou a ancestral presença humana e que aí existe um valioso património natural. Dos diversos lugares da serra, sabe-se onde persistem a miragem do ouro e as feridas abertas das minas, onde os cultos telúricos ergueram o granito, onde se fez sagrado o chão aberto como ventre materno. E o Tempo inscreveu nas ruínas dos conventos a introspecção e o silêncio ritual que acolhe o encontro do vento e das vozes de uma fauna secreta e fugidia.
Nas proximidades das minas da Nogueirinha, testemunhei como o crepúsculo se abre aos sons e aos movimentos de um outro mundo: os pássaros cantam para anunciar o seu local de repouso e depois o grito da coruja rasga a noite, o coaxar das rãs emoldura as águas prateadas de uma albufeira, o aroma do rosmaninho e da arruda intensificam-se, voos de morcegos desenham o ar…

Mas aqui é um outro percurso da serra, num outro tempo, quando a chuva entranha na terra e escorre pelo verde exuberante das heras e dos musgos. Após o nevoeiro, descobrem-se corredores onde as árvores se agigantam, poderosas e intensas; descobrem-se caminhos de terra ladeados por mato, tojo, murta, silvas e gilbardeira… a presença da ribeira do Escoural… pontes de pedra…manchas de lama onde ficou o vestígio de uma Gineta? Saca-rabos? Gato-bravo?



Nem o Inverno silencia os pássaros e os rebanhos! Percorrem-se os trilhos e fecham-se as cercas. No montado, a marca branca dos anos, o húmus, as teias cintilantes, o tom laranja dos cogumelos, um xadrez de sombra e de luz…



E do cimo das colinas, avista-se o monte isolado, a dança de um cão que festeja a presença humana.


Fonte Ferrenha

Os montes – muitos deles abandonados e em ruínas; outros, recuperados por quem veio de longe.

Fonte Ferrenha – Persiste o branco da cal, a contrastar com a cor férrea da água. Dizem que as suas águas eram procuradas pelas mulheres grávidas. Continuará o “cocho” de cortiça a servir para matar a sede das gentes da terra?