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domingo, 10 de abril de 2011

Pirliteiro




Pirliteiro, árvore do coração. Alguém, há muito tempo, lhe aparou os ramos e a fez ser mais do que um arbusto espinhoso à beira da estrada de ferro. E hoje olhei a árvore. Não tinha gestos para lhe dar mas mergulhei o coração na ondulação dos seus ramos. Talvez fosse a sua voz... 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

É tempo de olhar o céu




É tempo de olhar o azul e de ver as cores reaparecerem em tons de verde e pétalas! É tempo de sentir a aragem do mar trazida pelas gaivotas que vêm do estuário do Sado! É tempo  de acreditar que nem o Inverno pode calar o sonho  e cortar as asas!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Deslumbramento





Campo de soagem - a intensidade da cor de Maio. Apoteose! Que mais poderão dizer as palavras, que não seja o intenso e absoluto deslumbramento?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Maio de encantos!



Vêm-me à lembrança, neste mês de Maio, palavras de Brecht guardadas de uma exposição que impressionou vivamente o meu tempo de aprender Abril:

Como poderá o Homem comover-se com a Arte, se esta não se comover com o destino dos Homens?






Poderá a terra fluir se a voz humana não ecoar na esperança do verde, no sangue vivo da papoila, no fruto da seara que amadurece? Poderá o homem perder-se desta vontade de ser cor e seiva e flor e fruto - chão fértil, haste fecunda - a dádiva conquistada?



Oh, Maio! Maio de encantos, de Primavera - idade adulta, flor de vida, primeiros frutos…
Oh, Maio, que a cor de Abril não se dilua em chãos de nada, em espigas secas, em vontades abandonadas!



Em Maio:
o encanto do mais terno gesto que nos traz a beleza do cântico e do carácter!

domingo, 4 de abril de 2010

Domingo de Páscoa


Reparei, há alguns dias, numas frases que decoravam um saco de papel. Um idoso contava a seu neto que trazia dentro do peito dois animais que lutavam entre si: um leão furioso e vingativo e um cordeiro doce e tranquilo. Perguntou-lhe o neto qual deles acabaria por vencer, ao que o avô respondeu: “Vence aquele que eu alimente.”
Pois hoje fui para o campo e levei todos os animais que tinha. Pelas imagens, é bem fácil de ver qual deles morreu à fome.





Flores da Páscoa

E assim sendo, decidi “trazer” estas flores para casa.






terça-feira, 30 de março de 2010

Renovação

Flores

Era preciso agradecer às flores
Terem guardado em si,
Límpida e pura,
Aquela promessa antiga
Duma manhã futura.

Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 10 de março de 2010

Passeios de Primavera

Depois de meses intermináveis de frio, chuva e horizontes fechados, a extraordinária luminosidade dos últimos dias vem despertar uma vontade imperiosa de partir à (re)descoberta de percursos, de paisagens e de sabores da região alentejana. Não sendo possível conciliar todas as actividades, reste-nos, ao menos, o apontamento das feiras, dos festivais e das caminhadas, para utilização futura, desejando que a Primavera tenha, finalmente, começado a instalar-se por aqui. Ficaram para trás a Feira dos queijos de Serpa, o ciclo gastronómico “As Ervas da Baronia” (Alvito), o Festival das Açordas (Portel) mas… aí estão outras razões para saltitar de terra em terra: a Feira do Azeite de Vale de Vargo (Serpa), o festival “A Pão e Laranjas” (Vidigueira) e, se não falhar, uma Feira de Plantas Aromáticas, Alimentares e Medicinais (Orada – Borba). Bem sei que não referi os festivais gastronómicos de caça, ou dos outros sabores do Montado, mas esses reservo para quem os aprecie. Por mim, fico-me por um bom pão caseiro, uma mão cheia de azeitonas, um queijito de ovelha, uns espargos ou cardos, o aroma dos poejos e da hortelã e, de preferência, pela possibilidade de calcorrear veredas e azinhagas, de seguir o curso das ribeiras e de admirar a biodiversidade das Serras e dos Montados. Ah, e depois de cada passeio pelo campo, um momento para escutar a sabedoria dos mestres artesãos, dos velhos pastores e bordadeiras ou de algum idoso como aquele que, ainda ontem, por volta de um meio-dia ensolarado, se desviou do seu caminho só para me vir perguntar, numa alegria infantil e perfeita que apontava para o céu: “Quanto dá por um dia assim?”
:)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Dias de Sol




Passeio em Cabrela - Maio de 2009


Apenas para recordar como eram os dias cheios de Sol!


terça-feira, 7 de julho de 2009

Do Montado ao rio Almansor: as lições dos mestres

As plantas medicinais



Mestre José Salgueiro



“Ora senhoras e senhores, agora temos aqui uma outra que é o funcho. Eu comi muito disto quando eu era menino e era já criança. Primeiro, antes de ser criança fui menino, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Isto primeiro… quando isto é pequeno e novo, isto escalda-se com água a ferver. É assim: coloca-se numa…numa tigela, vá lá, cortado, água a ferver para cima, lava-se. Essa água atira-se fora para não ter este gosto tão forte.”

“A raiz e as sementes e as flores…raiz, sementes e flores, serve para os homens e as mulheres se desenrascarem…naquelas marés precisas! Em chá, em chá, mas a raiz também tem uma outra aplicação muito melhor, é aquelas diarreias crónicas que são teimosas em não abalar de maneira nenhuma, um chá…”


A biodiversidade do Montado


Engenheiro Alexandre Pirata



Outras plantas medicinais





"... a minha mãe atafulhava-nos de bolota cozida. Às tantas a gente já não queria mas ela dizia: Olha, se não queres não comes mais nada. A azinheira dá quatro espécies de bolota..."



"Eu a ver se tirava aqui um musgozinho... mas não há aqui. Há aqui uns musgos brancos, aqui em certas partes da azinheira, esses musgos foram usados durante séculos pelos pastores. Porquê? Os pastores antigamente havia alguns que não tinham dinheiro para botas, aquilo era miséria terrível, usavam tamancos, tamancos, era... sola de madeira. Os homenzinhos de Verão andavam atrás do gado, chegava-se à noite com os pés todos feridos, todos feridos, todos assados. O que é que os homens faziam? No dia seguinte, de manhã, enchiam o tamanco de musgos de azinheira e pés adentro. Chegava-se à noite e já estavam completamente sarados e então era só esperar um dia ou dois e ficavam curados. Olha, cá está! É este musgozinho branquinho que está aqui mas era... em grandes quantidades! As mulheres faziam assim: arranjavam musgo destes e depois torravam um pouco para desfazer e peneiravam, as camponesas. Tinham isso dentro de um saquinho, ali para quando fosse necessário porque nesse tempo havia muitos lumes de brasa, lumes de lenha, lumes de lenha, e de vez em quando as crianças caíam e caíam e havia muita gente queimada, ao contrário de hoje. Hoje há outras braseiras. E então as mulheres faziam este... musgo era quase todo torrado e esmagado e peneirado, dentro de um saquinho. Uma criança caía ao lume, ela, de repente, já tinha à mão, já estava preparado. Azeite cru, punha sobre a queimadura rapidamente azeite cru, muito rápido, e depois musgo de azinheira ali em cima. O azeite era para o musgo segurar. Uma camada aí de meio centímetro de musgo, no outro dia a mesma coisa e aquilo não ampolava, não ampolava e ao fim de sete ou oito dias era só esperar que caísse a carapela. Caso contrário criava ampola e havia um sofrimento horrível."


O moinho do Almansor



Ti Zé da Gaita

“E depois o teigão tinha à parte de cima um atilho com uma cortiça atada à ponta e tinha assim uma forca… entrava e ficava com aquele eixo e tinha outro atilho com um chocalho atado. Quer dizer, a cortiça estava cá dentro do teigão tapado de trigo e a gente punha o chocalho em cima do atilho. Quando o trigo cá se acabava, o chocalho fazia assim, caía para cima da mó. Você nem queira saber o barulho que aquilo fazia, um gajo estava deitado, era obrigado a acordar. E então o que é que fazia, levantava-se, vinha cá, tratava do moinhozinho, catrapus, deitava-se outra vez e trabalhava ali uma hora, uma hora e…, tornava a tocar…”

“Era pago à maquia, de cem quilos, pagava dez. Você trazia cem quilos de trigo, só levava noventa de farinha. O farelo... ia com a farinha, havia de ficar para o moleiro, não? Depois isto tinha uma coisa, havia aquele moleiro que gostava do farelo da asa de mosca, era o farelo saído, e havia outro que gostava do mais remoído. A farinha com o farelo mais remoído tinha mais força…levantava o pão ou baixava.”


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Primavera

Timidamente, apareceram sinais aqui e ali, pequenas gotas de cor espalhadas na chuva. Hastes flexíveis e nuas bordaram-se de branco e rosa, ainda não tinha despontado o verde luminoso da folhagem. E de súbito a explosão: os tapetes coloridos, a folhagem densa, o renascimento em toda a sua plenitude. Registo imagens. Passam dias e surgem outras fases da cor, do revestimento dos campos – um processo que não espera… Talvez quisesse reter a magia da vida a despontar, a renovação…



Mas os olhares desviam-se, forçados, para outras margens. No regresso inquieta-me o tempo a escoar-se mais depressa do que a ilusão de guardar o que é jovem e belo. Sei que as pétalas são frágeis e delicadas como papel de seda, frágeis e efémeras como a vida.


Quando as primeiras pétalas caírem por terra, já os campos estarão completamente floridos – o velho e o novo, uma vez mais. Uma brisa morna soprará, aqui e ali, a futura Primavera… Mas cada momento é único! Quem dera que os olhares nunca perdessem de vista o que é fundamental!



quarta-feira, 4 de março de 2009

Um pouco mais de chuva e frio


De novo a chuva e o frio… À luz do dia, as cores das primeiras flores...
Mas é a dança de fogo que nos transporta para um Maio Islâmico - um perfume de estevas à espera, nas margens do Guadiana.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009