quinta-feira, 31 de julho de 2008

Plantas medicinais


Era no meio rural que a prática da medicina natural era mais corrente, fruto de um saber próprio das gentes mais idosas, transmitido oralmente e pela experiência quotidiana, ao longo das gerações.

“Erva arcádia e calafito
Que os pastores tanto usavam
São de um leque infinito
Os males que elas curavam”

José Salgueiro, Ervas Medicinais e Saúde, Marca, 2004
(José Salgueiro – ervanário e poeta popular)

Flor de Sabugueiro

Havia a crença nas propriedades medicinais das plantas, enraizada nas vivências próprias do mundo rural, onde a natureza representava o meio fundamental de sobrevivência. Aí se aprendia a conhecer as plantas, recolhidas para aplicar em mezinhas, para a alimentação de pessoas e de animais, ou para produzir diversos objectos de uso quotidiano. Era na natureza que residiam todos os segredos e também os sortilégios, mas estes, apenas para quem soubesse dominá-los. Esse conhecimento, quando reconhecido como um “dom” pessoal e intransmissível, indicava a existência dos chamados “virtuosos”, curandeiros de renome, cujos dotes tinham sido demonstrados desde cedo e logo passavam de boca em boca, indo a sua fama além das localidades mais próximas.

Nêveda

As plantas sempre fizeram parte do rol dos medicamentos prescritos ao longo do tempo e facilmente se encontram referências ao seu uso em diversos documentos como, por exemplo, o Regimento dos Farmacêuticos de Évora, de 1497, que fará alusão às azedas, avencas, beldroegas, borragem, erva cidreira, funcho, hortelã, losna, murtinhos, salva, entre outras.



Funcho

Embora a maioria das pessoas conheça um número limitado de plantas, que são usadas para solucionar os males mais frequentes, (http://www.scribd.com/doc/4023807/Plantas-medicinais-Alentejo), existe uma enorme variedade, que se ingere, ou que se aplica externamente, sob a forma de emplastros ou de banhos.


Na listagem das ervas usadas, registam-se:

a agrimónia, a alfavaca da cobra, o alecrim, a alfarroba, a raiz do alcaçuz, a raiz de alteia, a avenca, a bolsa de pastor, o boldo, a borragem, o cardo santo, a raiz de cardosola, a cinco em rama, a flor de carqueja, a diabelha, o dente de leão, o eucalipto, a escabriola, o estevão macho, a erva casqueira ou erva alcaide, a erva cidreira, a erva pau, a erva férrea, a erva terrestre, a erva cavalinha, a erva de são roberto, a raiz de funcho, a flor da figueira da índia, os goivos amarelos, a raiz de grama, a raiz da hortelã brava, a hera, o hipericão, a hortelã pimenta, a folha de laranjeira, a folha de limoeiro, a folha e a flor de malva, a flor de manjerico, a folha e a flor de marmeleiro, o mirtilo, a mangerona, a folha de nogueira, a folha de morangueiro, a nêveda, a folha de oliveira, a papoila, a pimpinela, o poejo, o rabo de zorra, as pétalas de rosas bravas, a salva mansa, a salva brava, a salva real, a salsa parrilha, a flor de sabugueiro, a sempre-noiva, a sargacinha, a silva branca, a raiz de sete sangrias, a tramagueira, a tília e a urtiga branca.



Hortelã-pimenta

Os “chás”, ou combinam as plantas adequadas a cada tipo de problema, ou incluem aquelas que são benéficas em qualquer situação. O número de plantas que entra na infusão tem de ser ímpar, normalmente são 5 ou 7 plantas. O preceito a seguir: “Fazer o chá de ……, fervendo tudo junto num litro de água, para beber durante o dia, tomando-o 18 dias seguidos”
Os “banhos” devem ser feitos de manhã e à noite, durante 15 ou 18 dias.



Pimpinela

Todos estes elementos foram recolhidos oralmente e baseiam-se em práticas a que pude assistir, desde a identificação, a recolha, a secagem e a utilização de algumas das plantas referidas. Actualmente, as associações culturais e de turismo de natureza proporcionam passeios no campo, orientados por populares entendidos no assunto, que permitem observar muitas plantas e conhecer os seus usos mais comuns. De registar que as designações de algumas plantas variam consoante as localidades, existindo também algumas diferenças nas propriedades medicinais que lhes são atribuídas.



Marmeleiro

sábado, 19 de julho de 2008

Flores do Alentejo II

Caeiras




Caeiras – Agora em estado de abandono, foi outrora um grande centro produtor de cal. Bem próximo do pequeno aglomerado de casas, ainda se pode observar um forno em tijolo “burro”, já invadido pela vegetação, onde era cozida a calcite, a partir da qual se fazia depois a cal. Também nas proximidades de Santiago do Escoural há trilhos que levam a outro destes fornos e às feridas que a extracção da pedra deixou na paisagem.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Alcachofras



Noites de Verão, fogueiras acesas, rituais. Questionar os amores, adivinhar as paixões! Queimadas as alcachofras, ficarão à janela, espetadas num vaso... Desabrocharão ou não...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Espaço de silêncio e de luz



É no silêncio do espaço sagrado pelos monges que ecoam as vozes de um mundo cíclico: o velho e o novo – a transição entre os mundos. Sob a dança da luz e da sombra, a vida contém a morte e esta o renascimento. Leves, flutuantes, dançam as folhas que se desprendem das ramadas; revestem o solo, cama de fetos e oregãos e sargaços e dedaleiras. E o silêncio intensifica os cânticos e abriga as aves, no espaço onde o tempo é imutável, onde o mundo novo supera o mundo velho - transmutação. Guardiões da harmonia - a passagem proporcionará os prodígios, as fogueiras perpetuarão o Sol, as flores afastarão o caos. Honras e flores e danças às divindades da fertilidade, da pujança e da vida.