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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O deus solar e os senhores do gelo



Faltava vir aqui. Passou o Natal, veio o Ano Novo e faltava procurar o céu e o calor solar. Símbolo de vida e de força – disseram-me – o Sol regerá 2009.

Procuro o Sol, esse que se esqueceu de brilhar em Gaza, em Israel, num quarto de hospital … Porque todos os lados têm inocentes. Porque todos os preconceitos queimam como o gelo que corta as madrugadas. Porque são frios, demasiado frios, os dias em que alguém dorme na rua, os dias em que as fábricas já não abrem, o dia em que alguém disse um adeus definitivo.


Falaram-me do trânsito dos planetas, da energia que quebra os padrões negativos. Então, procuro o Sol para combater os dias cinzentos e afirmo:

- que todas as formas de amar são dignas;
- que toda a Terra é a nossa pátria;
- que todas as guerras são injustas ;
- que não há democracia, nem sucesso, enquanto persiste o desemprego e a exclusão;
- que em matéria de direitos humanos não há números: basta uma só injustiça para ser de mais.

sábado, 3 de maio de 2008

Arqueologia, flores e gatos

Da moura encantada, relato de gerações, ficou o encanto do alto castelo a marcar a paisagem. Já se esquece a moura que, em horas tardias, perseguia com a sua sombra os moradores solitários.
Pobre moura fechada na torre!

Falava-se de uma espada, falava-se do ouro e da peste… dos sonhos… das moedas de ouro… e do infortúnio que punia a cobiça… Estórias de mouros ao serão, túneis e fugas em direcção à atafona, ao rio...
Mas a História foi surgindo, lida nas entranhas da terra - Mão de Fátima!

Os relatos que a terra guardou e que ainda acarinha – poço, cisterna?

Astros, solstício, lua cheia - o enigma da Natureza! A terra como um útero!
Refúgio da saudade, da mágoa, da fragilidade humana?

Anta Grande da Comenda. Anta do Paço.
Luras de coelho e ninho de andorinha colado no esteio.


As flores inundaram a História e o granito. O tempo não impediu a Natureza de manter presente o fascínio: a sedução da terra florida, o mistério do percurso humano.




Tarde quente de Abril - Monte do Tojal.
O gato saudou a presença humana. Persistente, seguiu as pessoas pelo montado.





Atravessou flores, pasto, venceu o calor e o cansaço; deitou-se à sombra, enquanto os homens falavam do passado, junto às antas, menir e cromeleque do Tojal.

sábado, 27 de outubro de 2007

Menir do Tojal

Caminhos antigos do homem, marcas impressas na paisagem, remotos passos. Que olhares e anseios projectaram a nascente?

Pelos campos alentejanos

A chuva demora a vir, o ar da manhã corta e a tarde queima, num estranho Outono que inquieta. Ainda há espelhos de água na paisagem, e há flores que teimam... Debaixo dos sobreiros, chão juncado de bolotas, a paz dos rebanhos... E o verde da terra a renascer? Ainda tão hesitante!... E aproveitam-se os caminhos firmes, os dias claros, percursos de descobertas, momentos de osmose, a tranquilidade dos dias.