sábado, 10 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ou céu...ou mar...



Nunca falei sobre o porquê da palavra com que me identifiquei, que aglutina Ébano e Azul, nem tão pouco direi agora do significado que tem. Mas, se há nomes que nos atribuem quando nascemos, também nós construímos aquele que simboliza o que somos, ou aquilo que julgamos ser. E este nome é meu, indiscutivelmente, e levá-lo-ei, guardá-lo-ei comigo. Também nunca comentei a perplexidade que senti quando surgiu esta modalidade dos seguidores de um blogue, como se não fosse possível exprimir o nosso interesse e a nossa empatia através dos comentários, como se não houvesse uma ferramenta que permitisse adicionar os favoritos e como se não fosse tão fácil, com um simples “clique”, acompanhar os textos, as imagens e os pensamentos dos amigos (mais ou menos recentes) e de outras pessoas com as quais nos começámos a sentar à beira de um campo de trigo.
Aos que foram, aos que permanecem e aos que vierem (caso venham), digo-lhes que aqui ficam as palavras de que fui capaz (são apenas palavras mas, se delas retirarem as emoções…), ficam as imagens, que não são minhas: as plantas, as flores, os rios permanecem (se o ser humano fizer por isso) e o gesto de usar uma máquina não é mais do que uma tentativa, talvez um acto um tanto ou quanto ingénuo e algo desesperado de imobilizar o tempo e a beleza das coisas, uma tentativa de guardar a vida… um gesto tão inútil em relação aos meus pequenos felinos que desapareceram por algumas destas estradas.
Acredito que não há melhor momento do que a Primavera para colocar um ponto final num texto que fala da terra a fluir. Apesar de tudo, a Primavera far-nos-á acreditar que “nada se perde” e que “tudo se transforma”. Talvez seja assim… talvez nos encontremos por aí.
Um abraço enorme e sentido!

Ezul

domingo, 4 de abril de 2010

Domingo de Páscoa


Reparei, há alguns dias, numas frases que decoravam um saco de papel. Um idoso contava a seu neto que trazia dentro do peito dois animais que lutavam entre si: um leão furioso e vingativo e um cordeiro doce e tranquilo. Perguntou-lhe o neto qual deles acabaria por vencer, ao que o avô respondeu: “Vence aquele que eu alimente.”
Pois hoje fui para o campo e levei todos os animais que tinha. Pelas imagens, é bem fácil de ver qual deles morreu à fome.





Flores da Páscoa

E assim sendo, decidi “trazer” estas flores para casa.






sábado, 3 de abril de 2010

Culto da Fertilidade


Localizada entre Monsaraz e S. Pedro do Corval, a Pedra dos Namorados é um afloramento granítico onde se cumpria um ritual relacionado com o culto da fertilidade. Segundo consta, na segunda-feira de Páscoa, as raparigas solteiras iam atirar uma pedra para cima da grande rocha.



De acordo com as demonstrações a que assisti ainda há pouco tempo, o lançamento é feito de costas e cada tentativa falhada corresponde a um ano de espera para a realização do casamento. O pior é que, por vezes, as pedras que são lançadas lá para cima arrastam as que lá permaneciam, o que não é considerado um bom augúrio para as outras relações.



O mais curioso é que nem as pessoas casadas resistem a fazer um lançamento. Bem, e pelo que me foi possível observar, a falta de perícia nesta arte de lançar pedras continua a ser uma realidade, quer para os namorados, quer para os simples curiosos.



Triste sorte, a de ser cacto junto à Pedra dos Namorados!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sexta-feira

Guardo da Páscoa boas recordações, quase todas relacionadas com a vida no campo: o rosmaninho que se levava para casa, as amêndoas recebidas em troca do raminho de alecrim, o tradicional almoço de segunda-feira junto à ribeira ou à beira de uma albufeira, o aroma do forno de lenha e dos folares com que os nossos avós nos presenteavam…E é essa imagem que prefiro guardar para estes dias: uma apoteose de cores, de perfumes primaveris e de prados verdes onde os pequenos e irrequietos borregos podem continuar a crescer. Hoje, pois, escrevemos nomes de vilas em pequenos papéis, sorteámos os destinos e seguimos o rasto de um dia esplendorosamente solar, tão solar que pintou de ouro alguns recantos. Procurámos as flores de esteva, subimos as calçadas medievais, aguardámos pelos voos das andorinhas e fugimos das vozes excessivas das multidões
Descobrimos casas e chaminés, espreitámos os barros e as fontes, o pano bordado à porta de casa e uma história que havia para contar.

O cansaço não tornou o percurso fácil mas, porque a amizade ficou ao nosso lado, ainda assim aproveitámos cada momento para esvaziar os altares dos sacrifícios e louvar a vida.