quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Nudez
Poderá A Origem do Mundo ser considerada pornográfica ou obscena?
Este espaço em branco simboliza o quadro onde ainda não se registaram todas as hipocrisias!
Este espaço em branco simboliza o quadro onde ainda não se registaram todas as hipocrisias!
domingo, 22 de fevereiro de 2009
A homenagem ao Mestre José Salgueiro
“Há muito que é nas margens deste cantar
Que me sento de manhã ao pôr do dia
Para ouvir o canto da cotovia
Que todos os dias me vem visitar.”
Que me sento de manhã ao pôr do dia
Para ouvir o canto da cotovia
Que todos os dias me vem visitar.”
Foi a vez de cantar ali perto do rio, na Casa do Alentejo, no dia 7 de Fevereiro, na homenagem organizada pelo CEDA. Mestre Zé Salgueiro levou até à cidade a sua poesia e um saber enraizado no campo e em muitas gerações, que enriqueceu graças à enorme sede de conhecimento que o levava, já em criança, a ler tudo o que podia, nomeadamente o jornal que pedia emprestado na mercearia. Foram esses Relatos de uma vida, percurso de noventa anos vividos no Além Tejo, que foram cantados em verso na cidade à beira-rio.
“O frondoso freixo como alguém disse
Há tempos em merecidos louvores
É bom no combate a todas as dores
Há tempos em merecidos louvores
É bom no combate a todas as dores
Em chá e retarda-nos a velhice.
Não ficaram por desvendar os segredos das plantas e mezinhas, que apresentou perante um público atento. Ele, que explica a sua vitalidade pelo regime alimentar que segue fielmente, pelas virtudes do seu tão apreciado chá de freixo, ou da tisana de alecrim.

Imperdível é assistir às lições dadas em pleno campo, quando Mestre Zé encontra as mais variadas plantas medicinais e vai descrevendo as suas aplicações. Nos Passeios da Primavera (organizados pela Marca), nunca faltam os preciosos ensinamentos sobre plantas, os relatos das suas vivências, os comentários que exprimem o seu olhar atento e crítico sobre a sociedade.
Também a obra Ervas, Usos e Saberes, comprova a riqueza do seu discurso. Nas páginas deste livro, a descrição das propriedades medicinais das plantas vai-se intercalando com uma autêntica geografia da região de Montemor, com relatos das suas vivências e com um vasto saber acumulado ao longo dos anos.
Nesta homenagem, não faltaram os poemas e as melodias de outro alentejano: de Sol a Sul, numa voz que nos enche a alma e nos faz regressar às horas mornas e tranquilas, em que o tempo parece tornar eterno tudo o que há de bom na terra e na vida.
Nesta homenagem, não faltaram os poemas e as melodias de outro alentejano: de Sol a Sul, numa voz que nos enche a alma e nos faz regressar às horas mornas e tranquilas, em que o tempo parece tornar eterno tudo o que há de bom na terra e na vida.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Em breve a Primavera
Gosto da fragilidade tecida em aéreas pétalas, leves e translúcidas como horas escassas.
Beleza delicada, desenhada a traço preciso, essencial – construção linear, mãos entrelaçadas como céu e terra e humanidade.
Beleza delicada, desenhada a traço preciso, essencial – construção linear, mãos entrelaçadas como céu e terra e humanidade.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
A cor dos dias

Chamam-lhe abertas, aos rasgos de céu azul onde o Sol faz sorrisos e a luz se veste de cor: arco-íris, talvez um pouco de ânimo, corpo causal… Quis tocar o azul, o laranja, o anil… mas o céu fechou-se dia após dia.
E finalmente o Sol voltou, superando as horas em que os sentidos avivaram feridas por defenderem a memória e a imortalidade dos encontros entre seres efémeros, que se dissolvem no nevoeiro do tempo. Sei como as imagens se desvanecem, como foge da pele o toque do corpo físico e se esvaem gradualmente os traços da realidade. “Tinha quinze anos, era o meu primeiro amor, e eu já nem recordo o seu rosto” – dói-me a frase de Marguerite Duras, sempre que me assusto com o esquecimento e que, por isso, deito sal nas feridas. Depois é o espaço vazio das vozes, o abandono dos perfumes…
Mas o Sol regressa, intenso, e vivifica as hastes nuas das árvores. É por isso que guardo as imagens dos primeiros botões, talvez a ilusão dum renascimento, e saro o vazio dos dedos. Reaprendo as cores dos dias, invento jardins perpétuos que ofereço e que guardo, com os que partem, dentro do peito.
E finalmente o Sol voltou, superando as horas em que os sentidos avivaram feridas por defenderem a memória e a imortalidade dos encontros entre seres efémeros, que se dissolvem no nevoeiro do tempo. Sei como as imagens se desvanecem, como foge da pele o toque do corpo físico e se esvaem gradualmente os traços da realidade. “Tinha quinze anos, era o meu primeiro amor, e eu já nem recordo o seu rosto” – dói-me a frase de Marguerite Duras, sempre que me assusto com o esquecimento e que, por isso, deito sal nas feridas. Depois é o espaço vazio das vozes, o abandono dos perfumes…
Mas o Sol regressa, intenso, e vivifica as hastes nuas das árvores. É por isso que guardo as imagens dos primeiros botões, talvez a ilusão dum renascimento, e saro o vazio dos dedos. Reaprendo as cores dos dias, invento jardins perpétuos que ofereço e que guardo, com os que partem, dentro do peito.
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