A lontra lutra lutra (lontra de tipo euro-asiático), "animal territorial e solitário, com extraordinárias aptidões anfíbias e hábitos nocturnos e crepusculares", povoa o meu imaginário e é responsável por uma lacuna significativa na minha relação com o rio. Com efeito, nunca avistei qualquer exemplar destes animais, apesar de ter explorado os "pegos" de água limpída, cheios de peixes e de rãs. É certo que as lontras se escondem nas margens arborizadas e densas, nos emaranhados de raízes e de troncos, mas esses eram os trilhos que percorríamos há muitos anos, por causa da pesca, das amoras ou apenas pela aventura da descoberta.
Dia quinze de Março, chegámos ao núcleo de interpretação ambiental dos Baldios ao início da tarde. Avistámos lontras mas apenas em fotografias e, durante o passeio, observámos alguns vestígios da sua presença.

Elas estavam por ali, algures nas margens da ribeira, esperando que o entardecer oferecesse um ambiente mais propício a uma refeição de peixe ou de lagostim. Antes assim! É preferível que a presença humana não perturbe ainda mais o seu mundo.
Um ponto alto consistiu na descoberta de pegadas marcadas na lama (indecifráveis, não fosse a sabedoria do biólogo). Quanto aos dejectos, por serem marcas territoriais, era impossível não os encontrar.












