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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Compostagem

A primeira vez que ouvi falar de compostagem, decidi experimentar, o que me permitiu reduzir o volume dos resíduos que deitava para os contentores do lixo e, ao mesmo tempo, me ajudou a obter matéria para fertilizar as mini hortas que vou cultivando quando o clima e o tempo livre permitem. Numa simples caixa de madeira fui depositando restos de legumes que se transformaram numa pasta fétida cuja grande vantagem consistiu na possibilidade de observar algumas aves que ali procuravam debicar umas migalhas de pão.


A adição de resíduos por camadas (verdes e secos)

Actualmente, o contentor e as informações obtidas na actividade organizada pelos Dias Tranquilos, realizada no núcleo ambiental dos Baldios, foram o ponto de partida para desenvolver o processo com todos os preceitos. Os resíduos verdes e secos são colocados de forma alternada, a humidade é verificada, assim como a temperatura, e a matéria em decomposição vai sendo remexida periodicamente para facilitar a oxigenação. O próximo passo será tentar obter borras de café para misturar mas, para já, tal não é necessário pois não surgiram odores desagradáveis, muito pelo contrário, uma vez que as laranjas que vão caindo das árvores vão sendo aproveitadas e vão aromatizando a mistura. Nem sempre sobra o tempo necessário para dar uma olhada ou para acrescentar mais alguns resíduos mas a verdade é que aquele contentor acaba por ser uma ajuda preciosa para eliminar as ervas e os restos que se vão acumulando diariamente. Aguardo, com expectativa, o produto que dali sairá e que espero que seja semelhante ao composto que pude observar na acção sobre compostagem. Assim sendo, cascas de batatas, de bananas e folhas secas, entre outros elementos, ainda hão-de alimentar futuras plantações de nabiças e vasinhos de aromáticas, para o bem do planeta e da minha bolsa, em tempo de crise.



A demonstração

A recolha dos resíduos


A actividade prática - pequenos troncos para dar estrutura ao composto e permitir a sua oxigenação

Uma forquilha para ir  acomodando ou misturando os resíduos

A adição de matéria seca

A utilização da vara de madeira para verificação da temperatura

Adicionar água na quantidade certa

Um compostor fácil de ter em qualquer  quintal ou  jardinm

sábado, 20 de março de 2010

Limpar Portugal!





Escolhidos os locais da intervenção, o grupo iniciou a recolha dos detritos e foi muito bom sentir que, nesta sociedade de hoje, ainda é possível conjugar esforços e lutar por objectivos comuns. Limpou-se um pouco da nossa terra, bastante até, a julgar pelos sacos que se foram amontoando nos sítios próprios. Quanto a Portugal! …
Foi gratificante observar o modo como as crianças se envolveram na caça ao lixo (e o contraste com a atitude dos dois jovens que, algumas horas antes, seguiam de carro por uma das ruas da cidade, atirando papéis pela janela) e acredito que esta acção valeu bem mais do que umas quantas palestras. Aliás, todo este movimento, sendo uma iniciativa de um grupo de cidadãos, valeu muito mais do que certos discursos empolgados sobre as questões ambientais. Esperemos que todos os participantes, e em particular os mais pequenos, continuem empenhados nesta causa, sem descuidos, por menor que seja o papelito do rebuçado, ou a garrafa de água que fica caída junto à mesa do piquenique. E que a dificuldade na recolha das enormes quantidades de plástico desfeito pela chuva e pelo sol, que se entranhava pelas ervas das margens da ribeira, não nos permita esquecer os efeitos tremendos que essa matéria produz na Natureza.
E amanhã? E daqui a alguns dias? Alguém afirmou que, dentro de algum tempo, tudo estará novamente cheio de lixo. Mas o lixo não é o único dos problemas. Houve quem recordasse as margens da ribeira e as hortas, as fontes sufocadas pelos silvados…recordações dos moradores, de quem assistiu ao esquecimento do rio, gradualmente engolido por ervas e silvas, por troncos derrubados pelo vento – a barreira que rouba as águas do Almansor, que faz temer outras consequências, que transforma o convívio entre as gentes e o rio numa memória cada vez mais distante.


Os dias passados na Pintada, os almoços à beira da fonte férrea, os banhos nos pegos, as pescarias… não são apenas registos de outras vivências, são opções negadas às gerações presentes! Este foi também um dos tópicos abordados nas Jornadas do Património, que decorreu no dia vinte de Fevereiro (quando outras ribeiras saltaram as margens) e, assim sendo, é caso para perguntar:


Não podemos recuperar o nosso rio?


sábado, 10 de maio de 2008

O homem e a terra


A primeira vez que li este aviso, já há algum tempo atrás, passava por terras de areia, onde me disseram que era habitual as pessoas saírem pelos campos à procura de cogumelos, actividade que representava uma fonte extra de rendimentos. Julguei tratar-se de um processo para evitar
que pessoas menos conscientes devassassem os campos com uma recolha agressiva e exagerada. Há poucos dias voltei a encontrar esta placa e reparei então na referência ao Código Civil. O que me inquietou foi encontrar o aviso, agora colocado em terrenos relativamente próximos e onde nunca dera por qualquer tipo de restrição. Por desconhecer o conteúdo dos artigos indicados, eis as dúvidas que me surgiram: a proibição prende-se com a necessidade de proteger espécies ou com a vontade de proprietários ciosos das suas posses?
Procurei a informação necessária, esclareci as dúvidas. Quase todas! Em contrapartida, uma certeza: as palavras do chefe índio, sábias e intemporais, têm de ser relembradas.

“Somos parte da terra e ela faz parte de nós.”
“Isto sabemos: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une a família. Há uma ligação em tudo.”

Excerto da carta do Chefe Seatle para o presidente dos EUA, escrita em1854