Mostrando postagens com marcador Vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vida. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Beleza







A beleza surge assim, quando menos se espera, à beira de um caminho, em lugares recônditos. Selvagens, bonitas e discretas, as pequenas orquídeas são registos singulares da preciosidade de uma terra que urge sentir e respeitar, de uma terra que é o próprio destino humano. Comover-se-á o homem com o seu próprio destino? Não será o seu gesto mais recorrente, o de estender a mão para quebrar a haste e ceifar a vida?
Estender a mão, tocar levemente, sacralizar todas as formas de vida...
Talvez aconteça um dia!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Primavera

Timidamente, apareceram sinais aqui e ali, pequenas gotas de cor espalhadas na chuva. Hastes flexíveis e nuas bordaram-se de branco e rosa, ainda não tinha despontado o verde luminoso da folhagem. E de súbito a explosão: os tapetes coloridos, a folhagem densa, o renascimento em toda a sua plenitude. Registo imagens. Passam dias e surgem outras fases da cor, do revestimento dos campos – um processo que não espera… Talvez quisesse reter a magia da vida a despontar, a renovação…



Mas os olhares desviam-se, forçados, para outras margens. No regresso inquieta-me o tempo a escoar-se mais depressa do que a ilusão de guardar o que é jovem e belo. Sei que as pétalas são frágeis e delicadas como papel de seda, frágeis e efémeras como a vida.


Quando as primeiras pétalas caírem por terra, já os campos estarão completamente floridos – o velho e o novo, uma vez mais. Uma brisa morna soprará, aqui e ali, a futura Primavera… Mas cada momento é único! Quem dera que os olhares nunca perdessem de vista o que é fundamental!



sábado, 7 de março de 2009

A pureza dos dias




É na aparente insignificância que encontro a força da vida e a pureza dos dias!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A cor dos dias


Chamam-lhe abertas, aos rasgos de céu azul onde o Sol faz sorrisos e a luz se veste de cor: arco-íris, talvez um pouco de ânimo, corpo causal… Quis tocar o azul, o laranja, o anil… mas o céu fechou-se dia após dia.
E finalmente o Sol voltou, superando as horas em que os sentidos avivaram feridas por defenderem a memória e a imortalidade dos encontros entre seres efémeros, que se dissolvem no nevoeiro do tempo. Sei como as imagens se desvanecem, como foge da pele o toque do corpo físico e se esvaem gradualmente os traços da realidade. “Tinha quinze anos, era o meu primeiro amor, e eu já nem recordo o seu rosto” – dói-me a frase de Marguerite Duras, sempre que me assusto com o esquecimento e que, por isso, deito sal nas feridas. Depois é o espaço vazio das vozes, o abandono dos perfumes…
Mas o Sol regressa, intenso, e vivifica as hastes nuas das árvores. É por isso que guardo as imagens dos primeiros botões, talvez a ilusão dum renascimento, e saro o vazio dos dedos. Reaprendo as cores dos dias, invento jardins perpétuos que ofereço e que guardo, com os que partem, dentro do peito.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Espaço de silêncio e de luz



É no silêncio do espaço sagrado pelos monges que ecoam as vozes de um mundo cíclico: o velho e o novo – a transição entre os mundos. Sob a dança da luz e da sombra, a vida contém a morte e esta o renascimento. Leves, flutuantes, dançam as folhas que se desprendem das ramadas; revestem o solo, cama de fetos e oregãos e sargaços e dedaleiras. E o silêncio intensifica os cânticos e abriga as aves, no espaço onde o tempo é imutável, onde o mundo novo supera o mundo velho - transmutação. Guardiões da harmonia - a passagem proporcionará os prodígios, as fogueiras perpetuarão o Sol, as flores afastarão o caos. Honras e flores e danças às divindades da fertilidade, da pujança e da vida.