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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Por esses campos


Luz e sombra à beirinha do ribeiro


As cores do prado


Um ramalhete


Uma tela...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Notícias do reino verde






Alentejo
A luz que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...          
                      Miguel Torga

terça-feira, 25 de maio de 2010

Certos paraísos










Há certos paraísos que têm a dimensão humana, na verdadeira (naquela que queremos que seja a mais genuína) acepção da palavra. Como paisagem enquadrada num espaço classificado que merece a atenção daqueles que zelam pela defesa do ambiente e pela preservação das espécies, aspecto imprescindível para a manutenção do equilíbrio desta terra que somos todos nós, não deixa de guardar em si os traços das vivências camponesas, daquelas comunidades que tão bem conheciam, de forma empírica, o verdadeiro significado de ecossistema e de biodiversidade. Pouco interessará proferir aqui o nome do lugar, da ribeira, do açude, das gentes que percorrem estes trilhos, alguns dos quais guardam ainda esse aspecto rude e selvagem das barreiras de xisto, de um chão de terra piçarrenta; fundamental será revelar como a população da aldeia ainda guarda a memória de uma salutar relação com o campo, com o prazer dos banhos no rio e das travessias sobre os seixos, as correntes ainda límpidas, as pescarias sob o abrigo dos recantos mais frondosos.
Campos de trigo - searas, ramos de papoilas e de malmequeres, lírios do monte, maios espalhados pelas barreiras, uma orquídea despercebida…e a apanha da espiga, a memória do trabalho, o conhecimento das plantas e dos caminhos, a memória dos montes e da famílias, das alcunhas, o reconhecimento dos locais que acolhem as famílias e o grupos na segunda-feira de Páscoa… Não há palavras de ordem; alguém colhe uma flor aqui e ali, pois colhe… mas os sinais de satisfação por uma terra que se mantém como a memória guardou são tantos, que não podemos deixar de acreditar que há, algures, certos paraísos guardados na identidade de uma comunidade camponesa.












quarta-feira, 10 de março de 2010

Passeios de Primavera

Depois de meses intermináveis de frio, chuva e horizontes fechados, a extraordinária luminosidade dos últimos dias vem despertar uma vontade imperiosa de partir à (re)descoberta de percursos, de paisagens e de sabores da região alentejana. Não sendo possível conciliar todas as actividades, reste-nos, ao menos, o apontamento das feiras, dos festivais e das caminhadas, para utilização futura, desejando que a Primavera tenha, finalmente, começado a instalar-se por aqui. Ficaram para trás a Feira dos queijos de Serpa, o ciclo gastronómico “As Ervas da Baronia” (Alvito), o Festival das Açordas (Portel) mas… aí estão outras razões para saltitar de terra em terra: a Feira do Azeite de Vale de Vargo (Serpa), o festival “A Pão e Laranjas” (Vidigueira) e, se não falhar, uma Feira de Plantas Aromáticas, Alimentares e Medicinais (Orada – Borba). Bem sei que não referi os festivais gastronómicos de caça, ou dos outros sabores do Montado, mas esses reservo para quem os aprecie. Por mim, fico-me por um bom pão caseiro, uma mão cheia de azeitonas, um queijito de ovelha, uns espargos ou cardos, o aroma dos poejos e da hortelã e, de preferência, pela possibilidade de calcorrear veredas e azinhagas, de seguir o curso das ribeiras e de admirar a biodiversidade das Serras e dos Montados. Ah, e depois de cada passeio pelo campo, um momento para escutar a sabedoria dos mestres artesãos, dos velhos pastores e bordadeiras ou de algum idoso como aquele que, ainda ontem, por volta de um meio-dia ensolarado, se desviou do seu caminho só para me vir perguntar, numa alegria infantil e perfeita que apontava para o céu: “Quanto dá por um dia assim?”
:)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Violetas

Um dia, ainda hei-de colher violetas brancas para as plantar nas ruas do meu monte. Plantá-las-ei, com os dedos a cheirar a terra, por entre os canteiros e o granito, junto ao alpendre, à beira do forno e do tanque. E as suas flores renascerão em cada ano, em cada dia que anuncie a dádiva da Vida. Hei-de colher e plantar violetas como quem seduz e guarda para si a alma selvagem da Terra. Enquanto o olhar seguir os bandos de patos bravos, enquanto permanecer o arrulhar das rolas, o voo das cegonhas…enquanto florirem as pétalas de esteva e vierem em mornas aragens o perfume da palha, a alma declamada na força telúrica do cantochão, as memórias contadas pela voz dos mestres sem idade…

terça-feira, 14 de julho de 2009

Do Montado ao rio Almansor: alguns registos.

Igreja de S. Gens


Maio pinta-se de uma cor intensa, já de oiro semeado, no auge da vegetação e da maturação dos aromas. O Alentejo é assim, um campo estendido onde se guarda o perfume da nêveda, as flores bebidas pelas abelhas, as plantas que saciaram a fome e curaram as dores do camponês. Do adro de uma igreja, espaço onde a cal e o azul e o tempo inscreveram o rumor das crenças, só o voo das andorinhas a trazer o contraste do pasto envolvente. E os passos dos homens seguem os caminhos, que as cercas escondem, a reavivar os percursos e as memórias, com os olhares atentos, com os gestos, com a voz dos guias.




Moinho do Cosme

Arenária

O Montado, fértil e frágil, como toda a Terra, testemunho de vivências humanas, ou do seu abandono, como o mar de sargaços que invade os recantos, os silvados, os coelhos… As linhas de água apontam a direcção do rio, como as estradas que levam por montes e moinhos roídos pelo silêncio e pela partida dos homens, mas o rouxinol sublima a música do campo, o rumor das azinheiras e dos choupos, as finas correntes que alimentam o tapete de hortelã brava.

Moinho do Almansor





rio Almansor





A história do rio persiste na levada, a música da água a lembrar a cadência das mós, um modo de vida narrado pelo antigo moleiro. As mós, o açude, as zorras, esculturas que emolduram o espaço onde, na frescura do choupal, se apreciam os sabores do pão, do queijo e do vinho.

Mestre Zé Salgueiro

À sombra do loureiro gigante, a enxada de repouso, um tanque de rega, os sulcos húmidos que alimentaram a horta.
Depois a estrada conduz ao lagar de azeite, leito de água férrea de onde se perdera já a cor da oliveira. Que estórias ficaram por contar? A barragem, as pastagens do gado, o verde das vinhas, a adega… o percurso do passeio campestre organizado pelo CEDA e pela MontemorMel, no dia 16 de Maio, e mais fielmente relatado se prosseguirem por aqui.


Barragem do Raimundo

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Se percorrerem os campos



Se percorrerem os montes, desconfiando da aridez dos caminhos e do aparente vazio do campos…

Talvez haja um recanto inesperado, onde se guarde a frescura das manhãs.

Talvez se reencontrem os tesouros, os seres encantados, os deslumbramentos perdidos.

Talvez haja apenas uma imagem, um breve momento, ou tudo aquilo que se considere verdadeiramente importante.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Domingo de Ramos


Neste Domingo já não vi quem levasse ramos de alecrim para a Igreja. Era costume, no Domingo de Ramos, levar o alecrim para ser abençoado na missa. O alecrim era depois colocado, em cruz, bem no meio das searas.




Mas porque levar os molhos de alecrim? Onde se colocariam?








Os costumes morrem, quando já não fazem sentido.



O que é verdade é que sinto a falta da cor verde!
E do seu significado !