terça-feira, 30 de junho de 2009

Um chá no monte


A chuva dos últimos dias trouxe à lembrança o passeio ao Monte das Gigantas, realizado no dia dezoito de Abril. Depois de uns dias bem luminosos e solarengos, aquele Sábado amanheceu chuvoso, o que não impediu o grupo de percorrer o campo com entusiasmo, ouvindo e registando os ensinamentos do mestre Custódio sobre as plantas medicinais.



Percorreram-se caminhos e veredas, parte da ecopista, e por todo o lado se foram encontrando inúmeras plantas medicinais.



Gradualmente, o Sol foi colorindo a manhã, os campos e a rua do monte, onde o grupo puxou do farnel, para saborear, logo de seguida, a aromática infusão de plantas do campo preparada pelo Sr. Custódio e pela Juvenália. Depois do almoço foi a vez de espreitar as plantas que os nossos amigos, cuidadosamente, foram plantando por ali (algumas delas trazidas de bem longe), oferecendo assim a possibilidade única de se conhecerem plantas já difíceis de encontrar.





O Monte das Gigantas é, por isso, o palco de um projecto, ainda modesto, mas que traduz o amor pela terra, o respeito por um saber popular a que se deu continuidade e que se vai valorizando com os passeios organizados no próprio Monte, ou com estas iniciativas do Posto de Turismo. Pela Primavera, nada como combinar uma visita a este local para aprender os segredos dos “chás”, apreciar os sabores da fruta biológica, ou para conhecer a arte do barro. Serão bons momentos de saber e de simpatia, para recordar.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Chuva de Verão II





Como sabe bem, esta chuva de Verão que enche a tarde com o aroma da terra e do pasto!

domingo, 21 de junho de 2009

As minhas flores preferidas I




Madressilva - do emaranhado que se entrelaça nas barreiras rudes, o peculiar desenho das pétalas e um perfume que toca a raiz do coração.
Madressilva - talvez o poema que guarda os aromas das manhãs, a música dolente dos rebanhos, os risos das horas em que os anseios humanos se aquietam.
Procuro a palavra na poesia. Encontro-a nos versos do poeta.

Serão Palavras

Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens


Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração


Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.

Eugénio de Andrade, “Mar de Setembro”

quinta-feira, 18 de junho de 2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Cabaz do hortelão

Este é um dos primeiros cabazes que recebi e, se o fotografei, não foi apenas por querer divulgar esta iniciativa, que considero verdadeiramente louvável. De facto, um projecto desta natureza contribui para promover os pequenos produtores locais (esses rostos conhecidos, cujos projectos de vida devemos apoiar) e, ao mesmo tempo, garante ao consumidor um conjunto de produtos muito frescos e de qualidade. Outro aspecto interessante consiste no facto de se conhecer os produtores, do contacto que se estabelece e da possibilidade de visitar as hortas onde se cultivam todos estes legumes. É que eu sempre gostei de hortas: das que eram feitas nos montes, dos canteiros que eu também semeava, das hortas das quintas aonde íamos comprar os legumes de Verão e, hoje em dia, dos recantos com morangueiros e aromáticas que tento preservar no quintal.
Voltando ao cabaz, no dia em que os fui levantar, cheguei à Junta de Freguesia cansada de correrias. Peguei na caixa, espreitei o seu conteúdo e coloquei-o rapidamente no carro. Mas depois, quando me dirigia a casa, comecei a sentir um cheiro intenso a horta e foi como regressar à frescura das tardes de Verão passadas nas quintas, onde a água da rega levantava o odor dos sulcos de terra e dos pés de hortelã e segurelha.


Dessas hortas, recordo vivamente os grandes tanques, normalmente cobertos por parreiras, e as fontes de água fresca onde se pendurava o corcho de cortiça. Era junto às fontes, à sombra de uma árvore, ou numa mesa de pedra (geralmente, era a mó de uma das azenhas da região), que se faziam os piqueniques. Só que não ia tudo feito de casa. Pelo contrário, era ali mesmo que se preparavam a salada de tomate e pepino, o gaspacho (com a água da fonte) e que se assavam as sardinhas e os pimentos. Para sobremesa, as ameixas amarelas ou vermelhas, cujo sabor apenas recupero quando compro a fruta aos camponeses que se deslocam ao mercado municipal, aos sábados.



Quando conheci um oásis tunisino, pequeno espaço fértil com verdejantes legumes e perfumada menta, de que recordo especialmente as romãzeiras e as tamareiras, lembro-me de ter pensado que já os tinha encontrado há muito tempo, no Alentejo. Na Tunísia, a visita a essas hortas insere-se num itinerário turístico que dá a conhecer a cultura e o modo de vida das populações. Pois por cá, no mercado, quando compro a qualquer hortelão, trago sempre, em dois dedos de conversa, um conhecimento de gerações e um pouco da nossa identidade. Dizia-me um deles, há uma semana, em jeito de pedido de desculpa, que pedia um euro e meio por dois molhos de beldroegas porque davam mais trabalho do que andar a colher o feijão verde. E eu disse-lhe que sabia que era mesmo assim. Gosto de refazer, nesses diálogos, o desenho do feijão enfileirado, a cor a amadurecer nos tomateiros, as plantas dos melanciais, as beldroegas agarradas à terra húmida… E eles gostam de saber que não encontro, seja em que hipermercado for, o mesmo sabor genuíno.
E é por tudo isto que continuo a ir ao mercado e que encomendo o cabaz do hortelão.


Se percorrerem os campos



Se percorrerem os montes, desconfiando da aridez dos caminhos e do aparente vazio do campos…

Talvez haja um recanto inesperado, onde se guarde a frescura das manhãs.

Talvez se reencontrem os tesouros, os seres encantados, os deslumbramentos perdidos.

Talvez haja apenas uma imagem, um breve momento, ou tudo aquilo que se considere verdadeiramente importante.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Um sorriso



Tinha este sorriso enorme para partilhar.

Às vezes



Às vezes apetece olhar a paisagem e estender o dedo devagar, como quem desenha o contorno do horizonte. Às vezes, há um oceano tranquilo e ondulado, e cresce a vontade de ser corpo-água, de ser barco…




Às vezes… às vezes, são os homens que levam uma paleta de cor e que desenham a paisagem.


Varanda


Página a página, o tempo foi levando personagens e concluindo histórias. Ficaram os cenários. Se abrisse esse livro, sentar-me-ia à varanda para aprender a linguagem dos choupos.