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domingo, 24 de outubro de 2010

Cores de Outono



Bem no centro da cidade, o Outono revela a cor espantosa desta folhagem, um tom muito semelhante ao  que terão, em breve, as árvores de que falo a seguir; uma mancha de extraordinária beleza que importa celebrar numa estação do ano  que o senso comum diz ser de tristeza... uma mancha de cor para nos reavivar a vontade nos dias que correm, dias em que constroem o nosso desencanto. 


Estas árvores encantam-me! Seja do verde escuro das suas folhas, do laranja vivo dos frutos, ou da composição de ambos, a verdade é que as considero umas das mais belas espécies que enchem de cor os quintais e os pomares.  Há poucos dias, ao vê-las numa quinta, carregadinhas de frutos bem maduros, muitos deles já abertos ou caídos no solo, de polpa bem gelatinosa e a prometer acúcares ao paladar, duvidei da minha aversão antiga e resolvi experimentar de novo. Decididamente, limitar-me-ei a admirar-lhes a cor e a fotografá-los! Mas não posso deixar de lamentar o desperdício que representa aquele chão onde se acumulam todos os frutos que não são aproveitados para consumo humano ou animal, já que alguns também são utilizados na alimentação das aves da quinta. Num período em que as dificuldades económicas se fazem sentir  e em que se torna imperativo rever a utilização dos recursos, pena é que os produtores locais continuem a enfrentar tantas dificuldades e entraves ao escoamento da sua produção. Afinal de contas e apesar das alterações climáticas, a Natureza ainda continua a dar provas de uma generosidade que o homem continua a não querer ou a não deixar aproveitar.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Outono e Inverno


Já desapareceram as árvores com folhas douradas, os resíduos do verde, os tons avermelhados dos diospireiros e das vinhas...



Guardo do Outono a imagem das cores, a recordação de breves viagens sob a névoa da chuva miudinha, o desenho da água a correr pelas bermas da estrada, pela vidraça do carro, o trepidar do motor e o calor de um casaco de lã a embalar a sonolência!

Percorro as imagens do S. Martinho: a visão do castelo, um sol tímido a abrir a luz da manhã, o rumor da multidão e dos festejos, o calor nas mãos, o doce fogo do vinho, o aroma e o sabor das castanhas, o perfume da madeira.


E eis que o Inverno chega, a espalhar cristais de gelo pelos campos.





Parecem mais frias, as paredes de pedra lá no cimo. Imagino enormes lareiras, flamejantes labaredas a iluminar manhãs cinzentas, sombras projectadas sobre as tapeçarias…


Mas nem o frio esconde as cores, imagens que capto, talvez na ilusão de guardar o segredo das madrugadas.


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ermida de Santa Margarida


Quando a Lua espreita os dias


e o Sol espalha oiro nas ramadas


comungo do silêncio tranquilo das tardes


nas proximidades da ermida.

domingo, 19 de outubro de 2008

Flores de Outono


Nascem com os primeiros sinais de humidade e sobrevivem, mesmo que a chuva seja escassa. Registei a sua imagem e recupero-a para sobreviver, também, a um dia sem voos e sem romper os limites da urbe.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Cronologia

O vento deixou visível o ninho, já abandonado.

As cores foram-se misturando.

Vestígios da primeira chuva, gotas preciosas.

Caíram, aqui e ali. Coleccionei-as.

Lentamente, afundaram-se nos lagos do jardim, na água das bermas.


Manto seco, guardei o desenho das mais perfeitas.

Ficam guardadas as folhas douradas e os frutos, até ao Natal.

domingo, 12 de outubro de 2008

Outono

Gosto do Outono (o que é inevitável num escorpião) quando o céu vem fechar-se em tons de cinza sobre os dias, ou quando uma luz serena acolhe os cambiantes verdes, amarelos e castanhos da folhagem. Dos dias quentes e abertos aos horizontes mais vastos, ficou apenas o desejo de seguir num voo de pombos bravos. Do esplendor da cor à desagregação das folhas amontoadas, o sono adormecido dos plátanos da avenida, dos choupos das margens da ribeira. Gosto de caminhar sobre as folhas e de festejar as primeiras chuvas: vem de longe o cheiro da terra molhada, intensifica-se. Desagregação e húmus: pouco demora o nascimento da erva fina, orvalhada pela manhã, como as pérolas que a neblina prende nas teias.
Nada há de triste, nada se perde, nem a cor, nem a vida.

Reencontro caminhos, as memórias das veredas e das azinhagas, o cheiro da lenha a queimar e das panelas de barro, dos marmelos assados na cinza quente… O cheiro a cozinha de campo, a fornada de pão quente; as primeiras mantas - refúgios interiores, enquanto o desenho da água desliza nas vidraças.

Não há timbres agudos e vozes cheias, sons de multidões em praças abertas e ruas largas.
Mas há conversas baixinhas e diálogos à lareira, partilha de mundos e tempo para olhar para as pequenas coisas.



sábado, 27 de outubro de 2007

Pelos campos alentejanos

A chuva demora a vir, o ar da manhã corta e a tarde queima, num estranho Outono que inquieta. Ainda há espelhos de água na paisagem, e há flores que teimam... Debaixo dos sobreiros, chão juncado de bolotas, a paz dos rebanhos... E o verde da terra a renascer? Ainda tão hesitante!... E aproveitam-se os caminhos firmes, os dias claros, percursos de descobertas, momentos de osmose, a tranquilidade dos dias.