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domingo, 31 de janeiro de 2010

Luz



Aldeia da Luz – 31 de Janeiro de 2010


“Trouxe-vos empregos, o Alqueva?”

“Trouxe agora, está tudo emigrado. O museu só lá tem duas pessoas. A … ficou com muita coisa, é tudo deles.
Não há trabalho, metem o gado aí no campo mas não dão trabalho...”

“Mas não fazem aqui passeios de barco?”

Os barcos não vêm aqui, só uma vez é que andou aí um barco com os reformados. Disseram muita coisa mas não há nada.”

“Onde ficava a aldeia?”

“ Vê ali aquela coisa branca? Era o depósito da água. As casas não se vêem, não se vê nada, foi tudo derrubado.
Ali ao fundo é um monte, tem quartos para as pessoas, alugam-nos. Vai-se dar a volta ali por aquela estrada… Este monte aqui é uma ilha, fez uma ilha.”

“Os Montes? Estão aí os espanhóis a comprá-los. Compraram um ali, outro ali…”

sábado, 9 de janeiro de 2010

Alqueva













Visitar Monsaraz é sempre uma oportunidade de viajar no tempo e de reencontrar um espaço único, como se a memória e a identidade se inscrevessem no xisto e na cal, no tear da artesã, no traçado de uma rua, num gato que espreita o sol, na saudação com que os habitantes nos acolhem.
Transformou-se a paisagem avistada lá do alto, a imensidão dos campos deu lugar ao grande lago, uma paisagem de assombro para quem se habituou à exiguidade das ribeiras e das albufeiras.
No ancoradouro, o nível da água comprova a intensidade da chuva neste Inverno. Há quem venha das aldeias mais próximas e recrie o limite da terra alagada, os espaços submergidos. Apontam o percurso da antiga estrada, da ponte… Memórias!
Ficaram as recordações. E o que trouxe o lago imenso? Campos verdes… Cultivados? Aldeias habitadas? Responder-nos-á o silêncio frio das ruas de onde se foram os raios solares e os idosos. Valha-nos a imagem de alguns olivais renovados. Pergunte-se agora às gentes que por ali permanecem se o sonho se cumpriu.