sexta-feira, 9 de maio de 2008
sábado, 3 de maio de 2008
Arqueologia, flores e gatos
Da moura encantada, relato de gerações, ficou o encanto do alto castelo a marcar a paisagem. Já se esquece a moura que, em horas tardias, perseguia com a sua sombra os moradores solitários.
Pobre moura fechada na torre!
Falava-se de uma espada, falava-se do ouro e da peste… dos sonhos… das moedas de ouro… e do infortúnio que punia a cobiça… Estórias de mouros ao serão, túneis e fugas em direcção à atafona, ao rio...
Mas a História foi surgindo, lida nas entranhas da terra - Mão de Fátima!
Os relatos que a terra guardou e que ainda acarinha – poço, cisterna?
Astros, solstício, lua cheia - o enigma da Natureza! A terra como um útero!
Refúgio da saudade, da mágoa, da fragilidade humana?
Anta Grande da Comenda. Anta do Paço.
Luras de coelho e ninho de andorinha colado no esteio.
As flores inundaram a História e o granito. O tempo não impediu a Natureza de manter presente o fascínio: a sedução da terra florida, o mistério do percurso humano.
terça-feira, 29 de abril de 2008
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Brinquedos tradicionais
Se há muitos anos atrás, sobretudo no meio rural, os brinquedos escasseavam, obrigando as crianças a recorrer à sua imaginação e aos recursos disponíveis, o que é certo é que até para aqueles que conheciam uma realidade mais generosa a natureza sempre funcionou como uma fonte inspiradora de brincadeiras, favorecendo a criatividade, a capacidade de construir e de imaginar mundos. Esquecendo por agora as colecções de carrinhos, os conjuntos de “lego”, os piões coloridos e musicais, os bonecos de corda, os livros de banda desenhada ou para colorir, os brindes dos gelados, todos eles manuseados e fruídos até ao limite, recordo diversas actividades cujo encanto residia precisamente na utilização de elementos naturais ou na satisfação de estar em espaços abertos.
Em primeiro lugar, enumeram-se as actividades de contacto com a natureza: os percursos pelos olivais ou pelo rio, à descoberta de recantos e de paisagens; a exploração dos caminhos por entre as rochas, assinalando trilhos e fontes de água férrea; a limpeza dos “pegos” e das fontes; a descoberta de plantas nas extremas (plantas aromáticas, medronheiros, plantas medicinais), os tufos de violetas brancas, os ninhos dos ouriços, os cardumes de minúsculos peixes ou alguma carpa maior a esconder-se nas lapas, as rãs, os girinos, os cágados…os ninhos nas ramadas mais baixas e o musgo mais perfeito… Descobrir, nas covas, as ninhadas de cães e gatos, esconder o segredo! Depois, era o prazer da recolha associada à descoberta: a erva cidreira e a salsa-parrilha, a erva de s. roberto, as rosas bravas, os medronhos, os cachos de amoras e as ameixas bravias (apesar do travo amargo), os ovos que as galinhas iam pôr a arredio, nos pastos das barreiras.
Havia os primeiros frutos maduros na horta: as ameixas e os abrunhos, as laranjas e as maçãs cunha, os marmelos e as gamboas, as nêsperas, os figos - exercitava-se a capacidade para alcançar os ramos mais distantes, para construir engenhosos ganchos de arame presos na ponta das canas. E subir às árvores, permanecer por entre a ramagem mais compacta de uma oliveira ou de um freixo, espreitar o rio do cimo dos troncos mais fortes, treinar o balanço nas hastes mais finas, fazer baloiços de corda de pneus velhos. Entrelaçar as hastes dos altos malmequeres, quase secos, já quase em finais de Maio, para formar túneis e labirintos.

Escavar degraus nas barreiras, escavar o barro, moldar a terra, cozer peças ao sol, treinar saltos das barreiras, preparar fogueiras na rua do monte, preparar refeições em miniaturas de barro, ir aos grilos, formar paredes com pedras e lama, preparar caniçadas, cortar o pasto, serrar a madeira, pregar as tábuas, fazer cabanas e habitá-las por breves horas, inventar aldeias de índios, atar os troncos, treinar jangadas, cortar as canas, armar os papagaios, fazer gaitas das canas e dos pés verdes das searas, transformar a “canavoura” em cataventos, e fazer carrinhos de arame ou deslizar nas aranhas…
E os jogos das escondidas no celeiro, por entre as sacas de trigo, no moinho velho, ainda soavam os engenhos e a água na levada … E o meu avô contava histórias e fazia bonecos dançarinos em cortiça!
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Manchas de cor !
Montado bordado a ouro!
Infusão. Cura de prata!

sexta-feira, 18 de abril de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
Flores de Abril
Finalmente, os dias de sol superaram o vento e a cor parda dos dias. Pelos campos, nas bermas das estradas e no emaranhado das extremas que dividem os olivais e os montados, há uma apoteose de cor e de perfume: sargaços, giesta, estevas, rosmaninho, pirliteiro, mostarda, silenes, malmequeres, inúmeras flores de nome ainda desconhecido, flores bem singelas e comuns, outras com aspecto exótico que despontam aqui e além (minúsculas, perfeitas, raras). Intenso cântico das aves e as cegonhas que seguem o rasto do tactor, uma dádiva na terra revolvida para as sementeiras primaveris. Rasga o silêncio dos campos o som do cuco, o voo de uma ave de rapina, uma rã em qualquer charco… Há manchas de cor: alguns tufos azuis, lilases ou amarelos, laivos brancos, gotas vermelhas de papoilas (ainda que faltem as searas), a flor branca do trevo…E há campos onde se estende a pintura da soagem, do malmequer, da tremocilha…A camomila teve já o seu auge, precoce como sempre, a iluminar os dias de Inverno; agora perde já a sua cor uniforme, cede o lugar ao esplendor da esteva ou do sargaço. E à beira dessas estradas de inusitado movimento, quem diria, não fossem caminhos procurados pelos fins-de-semana passados nos montes, as moitas floridas do “cizerão” (ceseirão), cujas sementes também alimentaram a gastronomia regional. Bem elevadas em troncos flexíveis e frondosos, perto de linhas de água, as flores do sabugueiro, aroma intenso, guardadas para fins medicinais, tal como a erva-prata, espalhada pelas barreiras.
Assinar:
Postagens (Atom)






