domingo, 18 de maio de 2008

domingo, 11 de maio de 2008

O ciclo do pão

Seara de trigo em Cabrela
Crivo, foice em madeira e dedeiras, taleigo

pão da Vidigueira - feira do pão e dos doces conventuais


"As ceifas executam-se, geralmente, com a foice braçal, manejada por homens, rapazes e mulheres, e, pouco ou nada, por meio de ceifeiras mecânicas. De ordinário, começa-se de 1 a 24 de Maio e acaba-se de 10 a 18 de Julho, ou pouco mais tarde. Dois meses, aproximadamente.
Primeiro, ceifam-se as cevadas, os centeios e as aveias (...) Depois passa-se aos trigos. Começa-se, em regra, pelos moles e conclui-se nos rijos."

Silva Picão, "Através dos Campos"

sábado, 10 de maio de 2008

Caminhos


Terras de Cabrela

O homem e a terra


A primeira vez que li este aviso, já há algum tempo atrás, passava por terras de areia, onde me disseram que era habitual as pessoas saírem pelos campos à procura de cogumelos, actividade que representava uma fonte extra de rendimentos. Julguei tratar-se de um processo para evitar
que pessoas menos conscientes devassassem os campos com uma recolha agressiva e exagerada. Há poucos dias voltei a encontrar esta placa e reparei então na referência ao Código Civil. O que me inquietou foi encontrar o aviso, agora colocado em terrenos relativamente próximos e onde nunca dera por qualquer tipo de restrição. Por desconhecer o conteúdo dos artigos indicados, eis as dúvidas que me surgiram: a proibição prende-se com a necessidade de proteger espécies ou com a vontade de proprietários ciosos das suas posses?
Procurei a informação necessária, esclareci as dúvidas. Quase todas! Em contrapartida, uma certeza: as palavras do chefe índio, sábias e intemporais, têm de ser relembradas.

“Somos parte da terra e ela faz parte de nós.”
“Isto sabemos: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une a família. Há uma ligação em tudo.”

Excerto da carta do Chefe Seatle para o presidente dos EUA, escrita em1854

Sabores genuínos


Estes não são os frutos normalizados, de pele dourada, polpa carnuda, sumarenta e sensaborona que invadem as nossas lojas. Pequenos e manchados, picados pelas abelhas e pelos pássaros, guardam um sabor genuíno, obtido nas hortas tratadas por hortelãos pacientes e dedicados, com métodos verdadeiramente biológicos. São o testemunho do orgulho que alguns camponeses sentem pelas suas pequenas fazendas onde, com um modo de vida ainda marcado pela autarcia, resistiram às modas e às imposições.
E, para além disto, não há nada que supere o prazer de ir até um destes lugares frondosos e andar a apanhar fruta saborosa.

sábado, 3 de maio de 2008

Arqueologia, flores e gatos

Da moura encantada, relato de gerações, ficou o encanto do alto castelo a marcar a paisagem. Já se esquece a moura que, em horas tardias, perseguia com a sua sombra os moradores solitários.
Pobre moura fechada na torre!

Falava-se de uma espada, falava-se do ouro e da peste… dos sonhos… das moedas de ouro… e do infortúnio que punia a cobiça… Estórias de mouros ao serão, túneis e fugas em direcção à atafona, ao rio...
Mas a História foi surgindo, lida nas entranhas da terra - Mão de Fátima!

Os relatos que a terra guardou e que ainda acarinha – poço, cisterna?

Astros, solstício, lua cheia - o enigma da Natureza! A terra como um útero!
Refúgio da saudade, da mágoa, da fragilidade humana?

Anta Grande da Comenda. Anta do Paço.
Luras de coelho e ninho de andorinha colado no esteio.


As flores inundaram a História e o granito. O tempo não impediu a Natureza de manter presente o fascínio: a sedução da terra florida, o mistério do percurso humano.




Tarde quente de Abril - Monte do Tojal.
O gato saudou a presença humana. Persistente, seguiu as pessoas pelo montado.





Atravessou flores, pasto, venceu o calor e o cansaço; deitou-se à sombra, enquanto os homens falavam do passado, junto às antas, menir e cromeleque do Tojal.