quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Moinhos e Cataventos


Canavora ou Canabrás






De Abril a Agosto





Cresce nas bermas das estradas e há quem diga que também tem propriedades medicinais. Por ser leve e resistente, era usada para fazer papagaios, moinhos e cataventos. Bastava cortar o caule, retirar-lhe o miolo, usar um pouco de arame, e era ver o efeito do vento.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O segredo das fontes

Fonte em Cortiçadas de Lavre

Fonte próxima da Capela de S. Luís

Pintada


Herdade da Mitra - Évora


Que segredo guardam as águas das fontes, de onde te espreita o olhar da Moura Encantada?
Véu de luar, murmúrio das águas profundas, feitiço nocturno do rouxinol – souberam-no os pastores, talvez os eremitas e os malteses que percorreram os recantos perdidos do rio. Eles, os fadados, não se iludiram com os rostos alheios espelhados à superfície; reconheceram-se nas águas mais profundas. Por mim, apenas quero mergulhar as mãos e erguê-las em concha, um sabor de avenca ou o gosto da água férrea, frescura na pele, que depois dispo e abandono à beira da nascente.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sabores de Verão II

Sopa de vagens de feijão frade

Outro dos pratos característicos do Verão é feito com as vagens de feijão frade que estufam num refogado de alho, cebola, louro, salsa e muito tomate maduro. Junta-se água para fazer o caldo e há quem coza também rodelas de batata. Podem escalfar-se ovos ou acompanhar as sopas com peixe frito. Por mim, prefiro juntar sementes de sésamo.





À sobremesa ou ao lanche, o sabor mediterrânico de uma fresca talhada de melancia. Pode acompanhar-se com pão mas esqueça-se o vinho, diziam. Também consta que a melancia, para refrescar, era aberta e deixada ao sol. Nunca experimentei mas no tempo em que almoçávamos nas hortas, a fruta refrescava nas fontes, nos poços ou nas correntes dos regatos.



Sabores de Verão I

Sopa de beldroegas


Apesar de também serem cultivadas, as beldroegas são essencialmente plantas bravias que proliferam por todo o lado, sobretudo nas hortas, onde infestam as culturas de Verão. Lembro-me de as ver junto dos pegos e das albufeiras e nas valetas onde caía a água da rega do milho ou da forragem. Por isso, era uma das ervas a que se recorria para fazer as sopas tradicionais.

A composição da sopa de beldroegas variava, de acordo com as possibilidades de cada um, como refere Aníbal Falcato Alves no livro ”Os Comeres dos Ganhões”: a sopa que leva o queijo e a sopa pobre, esta só condimentada com as batatas ou com os ovos escalfados.
No livro de recolha de receitas de Mértola, “Aromas e Sabores”, aos ingredientes habituais (as beldroegas, os alhos, o azeite e o pão), acrescentam-se a salsa, o tomate e a cebola. Em Viana do Alentejo, pude apreciar estas sopas acompanhadas com queijo fresco e com bacalhau.


Por estes lados, a sopa de beldroegas é cozinhada da seguinte forma: estufam-se em azeite as folhas de um molho de beldroegas, acrescentam-se as cabeças de alho inteiras e um queijo de ovelha curado cortado em quartos. Acrescenta-se a água para o caldo, juntam-se algumas rodelas de batata e, algum tempo depois, escalfam-se os ovos. Rectificam-se os temperos (gosto de incluir louro, pimenta acabada de moer e de exagerar no queijo) e deita-se o caldo sobre fatias de pão duro.

Borboletas



Estas borboletas têm aparecido regularmente no quintal, apesar da escassez de flores.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Amoras




Ontem lembrei-me de ir às amoras. Pensei nos silvados onde dantes recolhia frutos suficientes para saborear e para fazer doce – encomenda das tias – mas as veredas junto à levada do moinho estariam, decerto, depois de esquecidas pelas gentes dos montes, ocultas pelo emaranhado de silvas e pelo pasto cerrado.


Procurei outros lugares próximos da cidade, à beira de estrada concorrida. Pasme-se da abundância, caídas em cachos sobre os muros baixos.


Depois segui à beira do rio, nas proximidades da capela de Santa Margarida: amoras bem maduras, algumas doces como passas, outras de bagos redondos e cheios, como são as que crescem na berma da ribeira. Sabor inconfundível, dedos manchados, algumas picadelas e pastos bem cheios, como outrora.

Estranha abundância! Já ninguém vai às amoras?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Chuva de Verão


Foram umas gotinhas, apenas. Gosto da chuva de Verão: assenta o pó, refresca o ar, traz um ligeiro perfume de terra. E apanha-se sem “culpa” de adoecer, ou observa-se atrás da vidraça, imaginando-a a lavar as cores, a juntar pérolas ao rosa lilás dos cravinhos de S. João.

Gosto quando umas gotas de chuva se juntam às viagens e aos outros espaços que visito. Tornam-se minhas, essas terras; deixo de ser uma qualquer turista do Estio para partilhar o quotidiano dos céus mais propícios às viagens internas.