sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Fonte Ferrenha

Os montes – muitos deles abandonados e em ruínas; outros, recuperados por quem veio de longe.

Fonte Ferrenha – Persiste o branco da cal, a contrastar com a cor férrea da água. Dizem que as suas águas eram procuradas pelas mulheres grávidas. Continuará o “cocho” de cortiça a servir para matar a sede das gentes da terra?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Gilbardeira


A gilbardeira cresce em sítios sombrios, sob os emaranhados de silvas e arbustos. Foi muito usada para fazer vasculhos. É o "azevinho" dos campos alentejanos, planta que deve ser protegida.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Histórias de vida

“Algumas destas peças são de linho, são trabalhos feitos por senhoras com oitenta anos, que estão no lar.”
Encontro semelhanças com os bordados que guardo, já nem sei em que gaveta, feitos por uma das avós. Tinham tempo e paciência, as avós!
Oitenta anos! Sorriem às pessoas que passam e se estas se detêm, fazem-lhes um apelo tímido, as vendas revertem a favor das pessoas do lar. E eu, que sempre preferi o barro, a madeira, ou a cortiça, escolho um pano de tabuleiro, singelo e perfeito, pensando que sempre terá utilidade se o oferecer a alguém.
Depois reparo que já as tinha encontrado em Novembro, na feira da aldeia. Só agora percebo onde fica o lar!
Juntam-se outras pessoas, surgem amigos comuns, descobrem-se laços de parentesco, contam-se histórias de há muitos anos. Motivada por este encontro, uma das idosas recorda a família numerosa “éramos tantos e agora já só tenho aqui uma prima”, “moram longe, passam-se meses que não os vejo”, “tenho cá uma casinha tão boa mas então, estou no lar…”
E a seguir há alguém que relata as razões que trouxeram até àquela terra, àquele lar, a senhora do olhar sereno, a que nos convida a parar e a ver… Contam que a doença lhe levou a única filha…que ficou sem casa… Os olhos denunciam uma mágoa contida, os dedos deslizam pela face num gesto rápido. Esforçamo-nos por recuperar o tom de festa. O sorriso regressa, a mesma serenidade. Lições de vida!


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Feira de artesanato

Primeiro fim-de-semana de Novembro, início da tarde. Passámos os Foros e as terras de Lavre, rumo à aldeia. No ano passado, nos terrenos circundantes, via-se o corte da lenha, um amontoado de madeiros. Desta vez, a urze floria à beira da estrada. Floria, em pleno Outono, e pelas ruas da aldeia em festa, não senti o fumo das lareiras acesas, um cheiro característico, acolhedor, que me devolve às ruas dos montes que conheci.




Mas, no espaço onde decorria a feira, esperava-nos o sabor quente das castanhas e do vinho, os risos dos encontros e das visitas, um café fumegante e uma taça de doce de abóbora. Banca a banca, a textura da cortiça, o talhe da madeira, a imaginação aplicada no feltro e nas tintas, a tecelagem do vime, o mosaico do retalho, a conjugação das cores. Artesanato tradicional ou experiências novas, gestos de reformados, ocupações caseiras, percursos jovens ou histórias de toda uma vida.




As palavras contaram a história de um bordado, de um ponto cruz - técnicas aprendidas num tempo que já é de saudade. Vieram de um lar e trouxeram as emoções, o carinho e a arte entrelaçadas nas linhas das rendas, um orgulho pouco disfarçado na exibição do talento e na confissão da idade, a vontade de contar a quem pergunta, a quem admira, a quem ouve.



Contaram, sem pressa, as actividades agrícolas e a utilização das alfaias reproduzidas. Deram conta das horas necessárias para talhar cada pormenor. Um museu – nascido da arte e da sabedoria das mãos, da vivência da terra, da experiência de uma vida.



Três nomes a registar, nesta aldeia e neste universo de saber: João Clemente, o mestre da cortiça; Florindo Louro e Custódio Barroso, mestres da arte da cestaria - senhores de uma arte e de um conhecimento que partilham, generosamente.

Ermida de Santa Margarida


Quando a Lua espreita os dias


e o Sol espalha oiro nas ramadas


comungo do silêncio tranquilo das tardes


nas proximidades da ermida.