sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Os segredos de Monfurado
Conta-se, de Monfurado, que a serra testemunhou a ancestral presença humana e que aí existe um valioso património natural. Dos diversos lugares da serra, sabe-se onde persistem a miragem do ouro e as feridas abertas das minas, onde os cultos telúricos ergueram o granito, onde se fez sagrado o chão aberto como ventre materno. E o Tempo inscreveu nas ruínas dos conventos a introspecção e o silêncio ritual que acolhe o encontro do vento e das vozes de uma fauna secreta e fugidia.
Nas proximidades das minas da Nogueirinha, testemunhei como o crepúsculo se abre aos sons e aos movimentos de um outro mundo: os pássaros cantam para anunciar o seu local de repouso e depois o grito da coruja rasga a noite, o coaxar das rãs emoldura as águas prateadas de uma albufeira, o aroma do rosmaninho e da arruda intensificam-se, voos de morcegos desenham o ar…
Nas proximidades das minas da Nogueirinha, testemunhei como o crepúsculo se abre aos sons e aos movimentos de um outro mundo: os pássaros cantam para anunciar o seu local de repouso e depois o grito da coruja rasga a noite, o coaxar das rãs emoldura as águas prateadas de uma albufeira, o aroma do rosmaninho e da arruda intensificam-se, voos de morcegos desenham o ar…
Mas aqui é um outro percurso da serra, num outro tempo, quando a chuva entranha na terra e escorre pelo verde exuberante das heras e dos musgos. Após o nevoeiro, descobrem-se corredores onde as árvores se agigantam, poderosas e intensas; descobrem-se caminhos de terra ladeados por mato, tojo, murta, silvas e gilbardeira… a presença da ribeira do Escoural… pontes de pedra…manchas de lama onde ficou o vestígio de uma Gineta? Saca-rabos? Gato-bravo?
Nem o Inverno silencia os pássaros e os rebanhos! Percorrem-se os trilhos e fecham-se as cercas. No montado, a marca branca dos anos, o húmus, as teias cintilantes, o tom laranja dos cogumelos, um xadrez de sombra e de luz…
E do cimo das colinas, avista-se o monte isolado, a dança de um cão que festeja a presença humana.
Fonte Ferrenha
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Gilbardeira
A gilbardeira cresce em sítios sombrios, sob os emaranhados de silvas e arbustos. Foi muito usada para fazer vasculhos. É o "azevinho" dos campos alentejanos, planta que deve ser protegida.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Lavre: artesanato e memórias
domingo, 7 de dezembro de 2008
Histórias de vida
Encontro semelhanças com os bordados que guardo, já nem sei em que gaveta, feitos por uma das avós. Tinham tempo e paciência, as avós!
Oitenta anos! Sorriem às pessoas que passam e se estas se detêm, fazem-lhes um apelo tímido, as vendas revertem a favor das pessoas do lar. E eu, que sempre preferi o barro, a madeira, ou a cortiça, escolho um pano de tabuleiro, singelo e perfeito, pensando que sempre terá utilidade se o oferecer a alguém.
Depois reparo que já as tinha encontrado em Novembro, na feira da aldeia. Só agora percebo onde fica o lar!
Juntam-se outras pessoas, surgem amigos comuns, descobrem-se laços de parentesco, contam-se histórias de há muitos anos. Motivada por este encontro, uma das idosas recorda a família numerosa “éramos tantos e agora já só tenho aqui uma prima”, “moram longe, passam-se meses que não os vejo”, “tenho cá uma casinha tão boa mas então, estou no lar…”
E a seguir há alguém que relata as razões que trouxeram até àquela terra, àquele lar, a senhora do olhar sereno, a que nos convida a parar e a ver… Contam que a doença lhe levou a única filha…que ficou sem casa… Os olhos denunciam uma mágoa contida, os dedos deslizam pela face num gesto rápido. Esforçamo-nos por recuperar o tom de festa. O sorriso regressa, a mesma serenidade. Lições de vida!
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