sexta-feira, 29 de maio de 2009

Janela

Deixo as janelas fechadas, muitas vezes, sem tempo para lembrar os dias em que os sons do campo entravam pelas ruas da cidade. O vento trazia o rebanho, e a imaginação seguia o vento, até a cor do mar entrar pela janela. Agora passo depressa pelas ruas, e até me esqueço desse desejo de transpôr o sentido do tempo... Mas olho a janela e guardo-a. Quem será a senhora das rendas e das rosas?



segunda-feira, 25 de maio de 2009

Azul do monte



Azul perdido nos montes abandonados... esse azul onde me encontro e sei quem sou. Céu ou mar, olhar raro de gato... Cor fria, dizem. Soubessem sonhar os espaços e os momentos que nos libertam!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Arenária







Parece que alguém bordou flores miudinhas sobre o passeio. Só ainda não tinha encontrado esta variedade de cor branca.

domingo, 3 de maio de 2009

Orquídea selvagem


Encontrei-a na berma do caminho, logo no início do percurso pedestre. Creio que mais ninguém reparou e, no entanto, foi um dos momentos mais incríveis da caminhada.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Registos de Maio

Um campo intenso de papoilas, no coração da cidade.




E algures, num pequeno bairro, uma simulação da liberdade.




domingo, 26 de abril de 2009

Erva das Túbaras


Encontrei-as, se a memória não me engana, num dia em que começavam a ceifar uma pequena seara. Lembro-me de reparar em meia dúzia de flores minúsculas, muito bonitas, que cresciam numa faixa de chão piçarrento. Passaram muitos anos, perdi-me do conhecimento dos campos, mas de vez em quando revia essa planta singela como um daqueles objectos raros e preciosos que guardamos na infância.
Curiosamente, nestes dois últimos anos, encontrei campos repletos destas Ervas das Túbaras (e aprendi o seu nome, tal como o de tantas outras).

sábado, 25 de abril de 2009

Papoilas em Abril


Gosto do perfume dos cravos, da firmeza e do recorte das suas pétalas, gosto da sua história e da paz com que selaram as bocas das espingardas! Mas prefiro as frágeis papoilas que crescem espontaneamente à beira das estradas e que se espalham como gotas rubras nos campos verdejantes. Gosto das papoilas, que floriam no meio das searas como um coração a bater, sangue que flui pela dádiva do pão, pela dignidade do trabalho e de todos os aspectos essenciais à vida. Soube de quem colhia as suas folhas e as escaldava para as transformar numa sopa comestível…Outros tempos?
Prefiro as papoilas, ainda belas e de cor intensa, insignificantes e autênticas, a lembrar os gestos singelos de um brinquedo de criança: “galo, galinha, frango, franganinha …” - boneca de saia vermelha e cabeleira negra.
Gosto das papoilas, crescem num qualquer recanto e à nossa beira. Não, as papoilas não guardam as suas pétalas para enfeitar discursos plastificados, vazios e alheios à realidade das pessoas – esses milhares de pessoas simples (algumas que conhecemos ao nosso lado, com um nome e uma história de vida), a quem dão o nome de percentagem, ou de estatística. Não, as papoilas têm a cor da força da vida mas também sangram e choram quando Abril fica encerrado num compêndio de História.