A liberdade tem um preço mas... quanto se paga por não a ter?
domingo, 24 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Safira
Imaginara-a uma aldeia alinhada ao lado esquerdo da estrada, as casas próximas umas das outras, o tempo a diluir-lhes as memórias e a deixá-las morrer lado a lado. Mas não, apenas as primeiras casas se abeiram da estrada e, ao fundo, à direita, há a passagem para o suave monte por onde se dispersa a exígua povoação. Há um silêncio que vem primeiro, depois os sons dos pássaros e ouve-se o cuco ao longe, no montado. Outra casa, a figueira que dela fez seu chão, um forno que perdeu o cheiro do trigo, as hastes de marmeleiros sem fruto e as flores da esteva, grandes, brancas e bravias.
A Igreja, central, domina do alto da colina. Que mãos a terão erguido ali, impondo-a à simplicidade dos outros homens e às suas casas de barro que agora retornam à terra? Ao longe, do outro lado da charca, o branco de um muro e o cipreste a sobressair do montado – morte selvagem ou esquecida?
Safira, sob a fresca e húmida Primavera, onde esconderá a sua cor? Nos vestígios do azul que a Igreja guardou? No céu límpido dos dias em que soavam as vozes e os risos? Na tranquilidade que a velha amendoeira transmite? Safira tem cor de esmeralda, o verde que a terra fez nascer; tem a cor da telha, do tijolo, da pedra, da taipa, das paredes abertas (feridas ou libertas, quem sabe…); tem a cor da cal antiga e das frágeis pétalas de esteva salpicadas por gotas de chuva (talvez alguma lágrima do tempo)…
Registo a paisagem, o traçado das casas, a porta, a soleira, a janela, o beiral, a chaminé, o armário, a trave caída e o silêncio das memórias que não decifro mas que julgo pressentir. Talvez tenham ficado inscritas na taipa, talvez andem ao sabor do vento, talvez tenham ido também nas malas dos que partiram em busca de outros destinos…
Safira terá, um dia, definitivamente, a cor do céu azul e a cor da terra que o tempo deitará sobre a paisagem humana. Mas a voz da aldeia: a história das suas gentes, do seu quotidiano e das relações que a pequena comunidade estabeleceu com aquele espaço, essa voz alguma vez será escutada?
“Dentro de alguns centos de anos, outro viajante, tão desesperado como eu, neste mesmo lugar, chorará o desaparecimento daquilo que eu teria podido ver e que não aprendi.”
Claude Lévi-Strauss, Tristes Trópicos
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Paisagem onírica
Há paisagens que reconheço dos sonhos, onde seres oníricos caminham ao nosso lado sem pressas e reservas, seres que falam a linguagem das tardes floridas e das sinfonias do campo. Há tectos de verde e de luz, recantos de esmeralda, caminhos por entre o arvoredo, canteiros onde semearam arco-íris…
Bastou um dia de calor, um momento à hora de almoço, a procura de um recanto cheio de frescura e de sossego e vi-me numa outra dimensão, cuja porta de entrada não vou revelar, por recear os ogres devoradores de cegonhas encantadas e de cisnes de ébano, ou algum troll que, movido pela ganância, arranque as flores na ânsia de encontrar os potes com moedas de ouro.
domingo, 10 de abril de 2011
Pirliteiro
Pirliteiro, árvore do coração. Alguém, há muito tempo, lhe aparou os ramos e a fez ser mais do que um arbusto espinhoso à beira da estrada de ferro. E hoje olhei a árvore. Não tinha gestos para lhe dar mas mergulhei o coração na ondulação dos seus ramos. Talvez fosse a sua voz...
sábado, 9 de abril de 2011
jasmim
Espreitei a flor do jasmim quando a luz do Sol já serenava. O céu tinha a voz dos pássaros. O perfume das flores ali estava, à espera de pousar na mão aberta.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
É tempo de olhar o céu
É tempo de olhar o azul e de ver as cores reaparecerem em tons de verde e pétalas! É tempo de sentir a aragem do mar trazida pelas gaivotas que vêm do estuário do Sado! É tempo de acreditar que nem o Inverno pode calar o sonho e cortar as asas!
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