“Erva arcádia e calafito
Que os pastores tanto usavam
São de um leque infinito
Os males que elas curavam”
José Salgueiro, Ervas Medicinais e Saúde, Marca, 2004
(José Salgueiro – ervanário e poeta popular)
Havia a crença nas propriedades medicinais das plantas, enraizada nas vivências próprias do mundo rural, onde a natureza representava o meio fundamental de sobrevivência. Aí se aprendia a conhecer as plantas, recolhidas para aplicar em mezinhas, para a alimentação de pessoas e de animais, ou para produzir diversos objectos de uso quotidiano. Era na natureza que residiam todos os segredos e também os sortilégios, mas estes, apenas para quem soubesse dominá-los. Esse conhecimento, quando reconhecido como um “dom” pessoal e intransmissível, indicava a existência dos chamados “virtuosos”, curandeiros de renome, cujos dotes tinham sido demonstrados desde cedo e logo passavam de boca em boca, indo a sua fama além das localidades mais próximas.
Nêveda
As plantas sempre fizeram parte do rol dos medicamentos prescritos ao longo do tempo e facilmente se encontram referências ao seu uso em diversos documentos como, por exemplo, o Regimento dos Farmacêuticos de Évora, de 1497, que fará alusão às azedas, avencas, beldroegas, borragem, erva cidreira, funcho, hortelã, losna, murtinhos, salva, entre outras.
Funcho
a agrimónia, a alfavaca da cobra, o alecrim, a alfarroba, a raiz do alcaçuz, a raiz de alteia, a avenca, a bolsa de pastor, o boldo, a borragem, o cardo santo, a raiz de cardosola, a cinco em rama, a flor de carqueja, a diabelha, o dente de leão, o eucalipto, a escabriola, o estevão macho, a erva casqueira ou erva alcaide, a erva cidreira, a erva pau, a erva férrea, a erva terrestre, a erva cavalinha, a erva de são roberto, a raiz de funcho, a flor da figueira da índia, os goivos amarelos, a raiz de grama, a raiz da hortelã brava, a hera, o hipericão, a hortelã pimenta, a folha de laranjeira, a folha de limoeiro, a folha e a flor de malva, a flor de manjerico, a folha e a flor de marmeleiro, o mirtilo, a mangerona, a folha de nogueira, a folha de morangueiro, a nêveda, a folha de oliveira, a papoila, a pimpinela, o poejo, o rabo de zorra, as pétalas de rosas bravas, a salva mansa, a salva brava, a salva real, a salsa parrilha, a flor de sabugueiro, a sempre-noiva, a sargacinha, a silva branca, a raiz de sete sangrias, a tramagueira, a tília e a urtiga branca.
Os “chás”, ou combinam as plantas adequadas a cada tipo de problema, ou incluem aquelas que são benéficas em qualquer situação. O número de plantas que entra na infusão tem de ser ímpar, normalmente são 5 ou 7 plantas. O preceito a seguir: “Fazer o chá de ……, fervendo tudo junto num litro de água, para beber durante o dia, tomando-o 18 dias seguidos”
Os “banhos” devem ser feitos de manhã e à noite, durante 15 ou 18 dias.
2 comentários:
Tens que visitar a minha quinta...
Doce beijo
Olá, passei para ver se já havia flores de Praga! Antecipei-me........
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