
Chamam-lhe abertas, aos rasgos de céu azul onde o Sol faz sorrisos e a luz se veste de cor: arco-íris, talvez um pouco de ânimo, corpo causal… Quis tocar o azul, o laranja, o anil… mas o céu fechou-se dia após dia.
E finalmente o Sol voltou, superando as horas em que os sentidos avivaram feridas por defenderem a memória e a imortalidade dos encontros entre seres efémeros, que se dissolvem no nevoeiro do tempo. Sei como as imagens se desvanecem, como foge da pele o toque do corpo físico e se esvaem gradualmente os traços da realidade. “Tinha quinze anos, era o meu primeiro amor, e eu já nem recordo o seu rosto” – dói-me a frase de Marguerite Duras, sempre que me assusto com o esquecimento e que, por isso, deito sal nas feridas. Depois é o espaço vazio das vozes, o abandono dos perfumes…
Mas o Sol regressa, intenso, e vivifica as hastes nuas das árvores. É por isso que guardo as imagens dos primeiros botões, talvez a ilusão dum renascimento, e saro o vazio dos dedos. Reaprendo as cores dos dias, invento jardins perpétuos que ofereço e que guardo, com os que partem, dentro do peito.
E finalmente o Sol voltou, superando as horas em que os sentidos avivaram feridas por defenderem a memória e a imortalidade dos encontros entre seres efémeros, que se dissolvem no nevoeiro do tempo. Sei como as imagens se desvanecem, como foge da pele o toque do corpo físico e se esvaem gradualmente os traços da realidade. “Tinha quinze anos, era o meu primeiro amor, e eu já nem recordo o seu rosto” – dói-me a frase de Marguerite Duras, sempre que me assusto com o esquecimento e que, por isso, deito sal nas feridas. Depois é o espaço vazio das vozes, o abandono dos perfumes…
Mas o Sol regressa, intenso, e vivifica as hastes nuas das árvores. É por isso que guardo as imagens dos primeiros botões, talvez a ilusão dum renascimento, e saro o vazio dos dedos. Reaprendo as cores dos dias, invento jardins perpétuos que ofereço e que guardo, com os que partem, dentro do peito.
3 comentários:
Ola
uma fotografia muita bonita !!!
boa semana
Cheirou a Primavera quando a flor do pessegueiro dá um ar da sua graça - tão bem ilustrado nesta foto - e que saudades me traz das árvores que o meu avô tratava como se fosse filhos dele... saudades de um tempo que o tempo levou...
Cristalina a tua escrita como os dias ensolarados, onde não tem lugar o frio racionalismo que formata e acomoda e aos sentimentos e saberes sensoriais insensibiliza, trouxe-me à memória Alieburi (o eborense), decerto conhecedor destes espaços terrenos mágicos que nos trazes, no séc. XII assim escrevia:
"Desobedeci às minhas paixões quando era jovem
Mas depois que o tempo me feriu com as cãs e a velhice
Contrariamente ao hábito, obedeci à paixão.
Prouvesse a Deus que tivesse começado velho
Para me tornar seguidamente jovem"
Mas o seu contemporâneo Ibne Sara (o santareno) nos diz, neste seu cintilante
O Zéfiro e a Chuva
"Se buscas remédio no sopro do vento
sabe que em suas baforadas há perfume a almíscar.
Vêm a ti carregadas de aromas como mensageiros
com saudações da amada.
O ar prova os trajes das nuvens, escolhe
um manto negro.
Uma nuvem carregada de chuva faz sinais
ao jardim saudando-o
e logo chora enquanto as flores riem.
A terra dá pressa à nuvem para que lhe acabe o manto
e a nuvem com uma das mãos tece os fios de chuva
enquanto com a outra borda flores de enfeitar."
Enquanto me dás a boa nova com essa bela imagem de flor de pessegueiro que anuncia a chegada breve das papoilas…
Beijos luminosos
Eduardo
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